08 junho, 2021

Pontos 3 e 4: Captação de recursos e de investimentos

A captação de recursos é algo de extrema importância para a sustentabilidade financeira de qualquer iniciativa social, principalmente para o 3º setor (as organizações da sociedade civil) se manterem funcionando.

O ideal é que tenha sempre alguém ou setor responsável somente por essa área dentro da organização social ou do empreendimento. Porém, é muito difícil encontrarmos esse setor organizado porque ele demanda o quê para existir? Recursos. Recursos para manter equipe, equipamentos e especialistas que escrevam projetos ou que desempenhem funções comerciais consistentes e amplas.

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Por isso, obter patrocínios, ganhar editais e obter recursos de fontes variadas não são coisas simples ou fáceis para essas equipes. É um trabalho demorado, customizado e que pode ter ou não resultados de médio à longo prazo. Além disso, existe uma concorrência e essa concorrência é alta, todo o país na disputa por um recurso, fonte, investimento e etc. Aqui será valorizado a organização, o profissionalismo, a excelência, o valor da proposta e o potencial de retorno em forma de resultados de impacto para vencer essa disputa diária.

Com a ascensão do empreendedorismo e a mais crescente onda do setor dos negócios sociais com as startups de impacto social com os vieses de sustentabilidade financeira e impacto social juntos seguindo a linha do "Que tal ganhar dinheiro e mudar o mundo ao mesmo tempo?" possibilitou uma alternativa ao setor: criar ideias de empreendimentos que já nascem estruturados ao faturamento interno com modelos de negócios que possibilitem uma geração de impacto social e renda em conjunto. Isso é bem legal, mas é claro que tudo que é lido é muito fácil, mas a prática nem tanto. Muitos projetos do tipo startup nascem com o objetivo central que é a obtenção de investimento para um capital de giro ou desenvolvimento da tecnologia do projeto para de fato começarem a funcionar e isso não é algo muito fácil de obter. 


Eis a necessidade de se pensar um modelo de negócio consistente, validar esse modelo (saber se na prática funciona) e criar processos e áreas comerciais e de captação de investimentos (para startups) e áreas de captação de recursos com estratégias, processos e métricas próprias dentro de projetos e organizações sociais. Isso não é simples, pode demorar para vir o retorno e demanda muita experiência da equipe gestora e da equipe de captação/comercial.

Para o 3º setor existem profissionais capacitados para funções de captadores de recursos, principalmente no que demanda leis de incentivo fiscais como a lei Rouanet de incentivo a cultura no Brasil, porém, esse é outro assunto e pauta para post's futuros.

Vamos para um case que já acompanhei sobre o imaginário da captação de recursos:


"Uma empresa X quer criar uma imagem de responsabilidade social e para isso quer doar seus resíduos sólidos (sobras de madeira compensada), que sobram da sua produção para uma organização de base social da sua cidade. A proposta é descartar, sem um plano para o projeto de imagem de responsabilidade social. Quando eu descarto eu passo a bola da responsabilidade ambiental para o outro e já não tenho mais responsabilidade sobre o descarte incorreto, sobre o reaproveitamento e afins que são exigidos pela legislação e até pela própria imagem que a empresa quer repassar. Aí a empresa se posiciona dizendo "mas todo mês podemos vir deixar o resíduo, temos muitos e vocês criam aí um projeto, captam aí o recurso, tem muita gente querendo patrocinar algo assim." No final a instituição está com espaços ocupados com resíduos que não podem ser descartados de qualquer forma, sem recurso e sem gente capacitada para criar, tocar e muito menos captar recursos para aquile projeto porque ele no fundo não é viável e funcional. Se o projeto funcionar foi porque a organização social resolveu levá-lo a frente na luta e aí com certeza o representante da empresa vem para se posicionar como "apoiador" do projeto no final sem ter, de fato, contribuído."

Casos como esse romantizam muito a captação de recursos e de patrocínios, pintando-as como coisas simples, fáceis de obter por qualquer instituição social. Muito difícil também tirar do imaginário de que tudo que é doado é algo bom para a organização, né? Será que não é um tiro no pé algumas "doações" que recebemos? Será que tudo é bom é doado para o bem? 

Visão crítica e sistêmica que foram vistas no post anterior são essenciais aqui. Tudo requer um projeto de começo, meio e fim, até para esses casos. 

Ficamos mais atent@s. Ninguém patrocina projetos sem mínima sinergia ou sem contrapartidas muito bem conversadas. Tudo é um processo de negociação que pode e leva tempo para ser fechado, portanto, valorize seus investimentos, apoios, patrocínios e vendas. Projetos bem feitos podem te abrir portas maiores no futuro. 


Até a próxima,

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

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