20 junho, 2021

Ponto 5: Financiamentos, parcerias e apoios

 A captação de recursos, como foi falado no post anterior (confira aqui), é muito importante, extensa e exige muita energia da equipe ou do profissional responsável por ela. 

É preciso entender os transmites de quem capta e de onde vai captar os recursos. Cada fonte de captação tem suas próprias exigências, contrapartidas, objetivos e metas a serem alcançadas pela equipe do projeto. 

Ninguém aporta recurso em nada sem que haja retorno para a instituição financiadora. Sempre é uma via de mão dupla, saiba negociar e manter objetivos e metas funcionais e realistas para se realizar dentro do tempo, escopo e recurso repassado para o projeto.

Fonte imagem: https://nossacausa.com/


Existem várias fontes de captação de recursos e o que elas exigem é tempo de dedicação, habilidade e boas propostas. Dentre elas:

1-Editais - Os editais são muitos específicos, ou seja, cada fonte financiadora do edital tem suas próprias exigências, que podem ser muitas, desde documentação extensa, tempo de abertura da organização/empreendimento, faturamento anual e etc. A maioria exige no mínimo dois anos de funcionamento, inscrições estaduais e federais de atuação e faturamento superior a R$100.000,00 anual para empreendimentos na maioria dos casos e isso já inviabiliza a participação de muitos. 

P.S: Esse prazo de funcionamento entre 2 à 3 anos de abertura é conhecido como vale da morte ou probatório das organizações sociais e empreendimentos sociais. É o tempo sem poder concorrer a grandes editais, sem ter acesso a investimento e afins. Muitas organizações/negócios não conseguem sobreviver a esse período e acabam fechando. 

2-Crowdfunding - Para muitos é uma alternativa viável e que enche os olhos. São aquelas famosas vaquinhas virtuais. Você monta sua proposta no site e mobiliza sua rede para doar quantias em dinheiro para seu projeto. Existem várias plataformas específicas para isso como a Benfeitoria, Catarse, Vakinha e etc. Todas com suas regras específicas e percentuais cobrados em cima do montante captado, pois a plataforma também é um empreendimento que precisa se manter e esse é seu modelo de negócio. Algumas é no tudo ou nada ou você capta todo o valor colocado na proposta e se não alcançar perde tudo o que foi doado até ali. Outras você troca recompensas e brindes por diferentes valores e quantias doados, o que pode gerar maior engajamento do público.

P.S 1:  Exige muito planejamento prévio, uma equipe de mobilizadores, redes grandes e a captação começa em si antes mesmo de começar, como? Você já acerta com amigos e familiares doações para quando a vakinha começar, você já ter quantias subindo na campanha, deixando outras pessoas se sentirem mais seguras para doar ou serem atraídas por esse engajamento. 

P.S 2: Já existem plataformas de empréstimos coletivos que funcionam de forma parecida mas ao invés de ter todo montante captado sem precisar prestar contas, você precisará devolver o empréstimo para quem emprestou, né? Tudo isso precisa ser organizado, planejado e com retorno garantido. Exemplos de plataformas de empréstimos coletivos: Sitawi, Firgun, Kiva, Goparty e etc.

P.S 3: Tem ainda os financiamentos recorrentes. São ótimos se sua proposta de projeto é para gerar conteúdo, aulas, podcast's, artigos e etc. Você coloca sua proposta de projeto na plataforma e corre atrás de assinantes para financiarem seu projeto. Os assinantes pagam mensal, semestral ou anualmente para você gerar conteúdo que pode ser consumido por eles ou sustentam sua causa porque se identificam e concordam com ela, legal né? A Benfeitoria é um exemplo de plataforma que tem essa vertente também. 

3- Investimentos - Os investimentos são muito para o campo dos negócios de impacto social que precisam de capital para expandir e aumentar faturamento e por consequência...os seus lucros. Não é simples obter investimento. Muitos pensam que é um investimento semente ou para obter capital de giro, aquele montante de dinheiro necessário para abrir uma empresa, fazer ela rodar até atingir um faturamento adequado por suas próprias vendas, mas não é isso necessariamente, mas também não significa que não pode ser também. O investimento entra, na maioria dos casos, com o negócio mais maduro, organizado, com equipe qualificada e por aí vai. Chegar a esse nível significa enfrentar o vale da morte ou probatório dos negócios. Tem modelos de investimentos diferentes que podem ser obtidos via companhias investidoras como a Nest Investimentos ou por pessoas físicas que são chamadas de investidores-anjo, a mais conhecida no país nessa categoria é a Anjos do Brasil.

P.S 1: A maioria dos investimentos tem equity, ou seja, quem investe ganha percentual de participação na sua empresa. Isso significa que você terá um novo sócio e que ele/ela terão participação nos lucros da empresa e podem influenciar na rotina do trabalho. Essa interferência e participação nos lucros são definidas pelo valor do investimento aportado, portanto, quanto maior, maior podem ser a participação e andamento dentro da empresa. Isso não significa em si que esse novo sócio vai colocar a mão na massa, hein? 

P.S 2: É muito difícil obter investimento de cara, em uma banca de apresentação de pitches, por exemplo. É como começar um relacionamento que tem inúmeras negociações, fases, acertos, investigação, cálculos de retorno de investimento, riscos e etc. Precisa ser paciente e acreditar na ideia.

4-Financiamentos - Os financiamentos são aqueles bem comuns de bancos tradicionais com seus empréstimos, juros e etc. A dica aqui é esperar um momento adequado para pedir esse tipo de financiamento, ter um planejamento de retorno do investimento para poder devolver o empréstimo no tempo correto e entender bem os juros. Escolha o melhor empréstimo pelo tempo de carência (em quanto tempo terá que começar a pagar as parcelas do financiamento) e o valor dos juros, quanto menor, melhor. 

P.S: No terceiro setor existem entidades financiadoras que financiam projetos/ideias com prestação de contas e acompanhamento técnico e sem necessariamente ter que devolver os valores aportados. Ainda são poucas e ainda iniciantes no país, infelizmente. A Phomenta e o Instituto Phi são alguns exemplos.

5- Parcerias e apoios - Quando não se tem acesso a nenhuma das fontes acima, principalmente nos primeiros anos de existência, aí precisa ter jogo de cintura para se articular com possíveis parceiros gerando contrapartidas que não precisem envolver recursos financeiros. Parcerias para uso de espaço físico e em troca você oferece cursos gratuitos ou mentorias, parcerias com trocas de serviço/divulgação para aumentar o número de seguidores nas redes sociais, acordos com membros da equipe e etc. Tudo bem articulado, organizado e documentado. 

P.S: Patrocínios são os mais conhecidos, quando uma empresa investe em algum projeto/causa/ação em troca de divulgação da marca e marketing social. Não são simples de se obter, exigem muitas contrapartidas envolvidas e a empresa patrocinadora precisa ver valor e retorno certos nessa estratégia. 

Enfim, só algumas fontes para se pensar e ver possibilidades. Esse é um assunto bem mais extenso e cada parte tem sua profundidade. O objetivo desse artigo é não romantizar esses recursos e valorizá-los mais e mais em seus projetos e ações. 

Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui


Até a próxima,

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

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