04 junho, 2021

Ponto 2: Olhar Sistêmico e gerenciamento de riscos em projetos

Olhar sistematicamente para um projeto é tentar visualizá-lo por inteiro. É como explanar um mapa (do projeto) sobre uma mesa e ver o princípio, meio e fim da iniciativa, tentando imaginar deficiências de percurso, lacunas e pontos de atenção, fortalezas e riscos. 

Fonte imagem:https://brazilianvoice.com/

Desenvolver esse olhar não é simples. Poucos possuem. Gestores de projetos mais experientes, conhecedores dos problemas e campos de ação são os mais eficazes para esse tipo de visão e por consequência são os que tornam iniciativas mais estruturadas e de impacto positivo e real.

O projeto não é sobre nós, é sobre o impacto gerado. Tirar a visão pessoal do projeto é o primeiro passo para vislumbrar estrategicamente cada setor, passo a passo e controle da ação do principio ao fim. 

Pensar estrategicamente é não dar um tiro no próprio pé lá pelo meio para o fim da ação e ter que se virar nos 30 para tentar consertar algo e fazer o projeto voltar aos trilhos. 

Quando se visualiza um projeto do princípio ao fim já se posiciona equipe, fornecedores, parceiros, recursos necessários e o que é essencial para a iniciativa rodar com prontidão. Essas pessoas e recursos precisam ser capazes, funcionais e aptos para as funções colocadas e a partir disso pensar no gerenciamento de riscos. 

A gestão de riscos é detalhar cada ponto de atenção, lacuna ou ponto de franqueza que possa vir a prejudicar o andamento do projeto, pensando planos de saída e mitigação deles para contornar ou suavizar esses pontos. 

Nem todo ponto de atenção é 100% solucionável, mas pode ser suavizado, mitigado de modo que não cause grandes consequências ao impacto do projeto. Por isso, construir um plano de ação para cada ponto desse e as possíveis consequências que advém dele é fundamental.

Exemplo: 

"Um projeto de informática básica para o público da 3ª idade foi construído para abranger toda a população do Estado do Pernambuco. Como um projeto de inclusão digital, ele foi pensado para atingir as comunidades do interior e zonas rurais, onde o acesso a qualificação é menor do que em capitais e em grandes centros. O projeto foi todo construído por alguém que mora em São Paulo-SP e que não esteve/conhece as áreas foco do projeto. Um dos possíveis riscos é que além da falta de acesso a qualificação, possivelmente a população dessas áreas não tenha acesso a internet ou a internet possa ser via rádio, que é mais lenta e para muitas ferramentas a interação não é receptiva. Ainda pode haver o caso de parte dessa população não ser alfabetizada, portanto, não entenderia 100% da metodologia do projeto de informática e sua linguagem, precisaria pensar em uma adaptação do método com um especialista. Sem ou com pouco acesso a qualificação pode significar que os professores tenham que vir de outras localidades, o que pode implicar custos logísticos e de diárias. Com logística e diárias precisa-se saber que tipo de transportes, pousadas e estruturas ligam e conectam as cidades e a quanto tempo de distância elas ficam uma da outra. Um facilitador pode não conseguir ir e vir no mesmo dia e isso pode ser um custo extra de diária. Logo pode se constatar que em uma dada comunidade mais distante o transporte não chega, apenas carro próprio e por isso pode haver demandas de combustível ou locação de veículo, além da condição das vias que podem trazer custos extras ao projeto por danificar qualquer um desses meios. Isso é uma boa visão sistêmica para visualizar um projeto e criar um plano de gerenciamento de riscos para cada "e se" que surja e que não poderá interferir no impacto final da iniciativa."

Esse plano de riscos pode cobrir portas e lacunas que não foram sequer visualizadas e por isso, no decorrer do projeto, com ele andando, elas precisam ser suavizadas para não afetar a proposta final da iniciativa: o impacto que será gerado.

Não é simples tentar prever, mas um bom estudo do problema, do campo e um bom planejamento prévio ajudam na construção de uma gestão de risco mais ampla e condizente com a realidade, com saídas e rotas de mitigação mais estruturadas.

via GIPHY

Treinar a visão sistêmica e sua intuição para riscos é uma alternativa de desenvolvimento. Participe de projetos de voluntariado, converse com gestores de projetos/empreendimentos sociais, participe de cursos e formações. Se jogue e verá que essa experiência irá retornar para você em um dado momento.

Até a próxima!

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...