27 junho, 2021

Ponto 6: Avaliação de impacto social

Avaliar é uma ação para saber se um projeto/iniciativa alcançou seus objetivos e metas de impacto social e estratégias. É importante saber medir o impacto de um projeto em um dado contexto social. O que o projeto contribuiu para transformar a vida de alguém, o que mudou para melhor na cidade, no bairro, o que acrescentou de positivo ou influenciou para a mudança de trajetória na vida de alguém? 

Essas são questões muito difíceis de avaliar. Criar um projeto de avaliação de impacto exige tempo e esforço da equipe avaliadora para conhecer cada componente que faz parte do projeto, mapear a área de atuação e os agentes importantes daquele lugar, mesmo que eles tenham apenas um contato indireto com o projeto em si. 

A avaliação pode ser considerada um projeto a parte e que deve acontecer em paralelo ao projeto. Conter seus próprios objetivos, a escolha de técnicas de captura de dados e mensuração, a construção de indicadores estratégicos e etc. Para isso, precisa-se conhecer o território da ação, o projeto, seus dados, a equipe e o público-alvo com suas necessidades e desafios já mapeados para saber comparar e melhor avaliar os dados. 

Fonte imagem: https://artia.com/blog/3-dicas-para-avaliar-o-seu-projeto/


Não é uma tarefa simples avaliar projetos. Exige experiência do avaliador tanto em gestão de projetos, como no domínio das técnicas e ferramentas de avaliação. 

Existem várias ferramentas que auxiliam na avaliação de impacto como a teoria da mudança e demais matrizes e métodos. Além disso, o mundo acadêmico prover vários níveis e técnicas de pesquisa e mensuração de dados. A avaliação é como um processo investigativo e de pesquisa para o avaliador e tem muita sinergia com os processos acadêmicos científicos. 

Usar técnicas como entrevistas, grupos focais, observações participantes e questionários são exemplos de algumas técnicas/ferramentas para capturar dados para avaliar. Esses são assuntos muito extensos e que não adentraremos no momento, mas é bom saber o quanto pode ser complexa e importante um bom projeto de avaliação de impacto aplicado a uma iniciativa social. 

Entrevista com jovens participantes de um projeto de robótica educacional


Organizações da sociedade civil e empreendimentos sociais precisam avaliar o impacto de suas ações de forma paralela, ou seja, durante todo o ano, em cada projeto desenvolvido para ter relatórios anuais de impacto que precisam ser divulgados e que geram transparência e credibilidade para a instituição.

Poucas organizações e negócios sociais realizam isso, pois é uma tarefa complexa. A maioria das organizações e negócios sociais que já divulgam suas ações em forma de relatórios de impacto são grandes, com maior tempo de atuação e com equipes já maduras e preparadas. Porém, isso não quer dizer que os projetos de instituições menores não precisem ser avaliados, pelo contrário, é sobre resultados e sobre o impacto que muitos conseguem fechar parcerias, contratos e investimentos. Portanto, elabore seu projeto de avaliação e uma captação de dados e resultados de forma paralela em cada iniciativa e organize esses dados, eles são uteis para a credibilidade e portfólio institucional.

Agora, vamos de case sobre o mito da avaliação de impacto social na prática:

"Uma instituição fez um convite para um avaliador de impacto iniciar um projeto de avaliação para um dos projetos dela, que já estava a alguns anos em funcionamento e que nunca foi coletado nenhum dado. O avaliador recebeu algumas informações sobre o projeto em formato de ppt's institucionais (slides). Teve acesso a alguns contatos com alguns agentes-chave da iniciativa e montou um esquema para a criar o projeto, mas antes propôs uma atividade com o grupo dos agentes-chave para conhecê-los e para melhor capturar as necessidades, feedback's e direcionamentos do grupo. A atividade transcorreu de forma positiva, integradora e direcionada com uso de instrumentais para a avaliação das necessidades e problemática social. A partir disso, foi escolhido as técnicas e os lugares para coleta como entrevistas, fazer observações, registros e a criação dos indicadores e etc. Tudo seria entregue em quatro meses, um tempo curto para avaliar uma ação de anos e sem dados, mas foi o acordado. Em uma semana após a primeira interação com os agentes, o avaliador começou a ser cobrado por indicadores, dados específicos e oficiais do projeto. Virou uma rotina dura e de constrangimentos para o avaliador. De repente, a instituição começou a criticar as práticas aplicadas, as entrevistas com os agentes e não queria que o avaliador falasse com as pessoas da comunidade. Não é possível avaliar um projeto sem que os dados não sejam reais ou de acordo com a vivência e a cultura local do território de aplicação do projeto. A partir disso a instituição começou a criticar e menosprezar seus próprios agentes, dizendo que não eram capazes de relatar nenhum dado e por isso queria que o avaliador elaborasse ele mesmo os próprios dados. Chegado a esse ponto o avaliador resolveu desistir do projeto e sair da iniciativa. Não vale a pena passar por tudo isso por querer fazer um trabalho bem feito e correto." O que você faria?

Infelizmente esse é um caso real. No universo dos projetos há muitos puladores de etapa não preocupados com o impacto real de iniciativas e projetos. Não se preocupam com o público-alvo e muito menos com o problema que desejam resolver. Quando falamos de impacto isso ainda é um problema maior, porque poucos o avaliam e poucos entendem a real importância disso. 

Escolher o caminho mais fácil é para muitos, mas escolher o mais difícil e bem feito é para poucos e para bons gestores de projetos e para instituições de real impacto.

Chegamos ao fim da nossa primeira série de artigos. 

Obrigada por ter me acompanhado até aqui...em breve mais artigos e séries. Deixe nos comentários sugestões de temas que deseja ver por aqui dos campos da gestão de projetos e empreendedimentos sociais. 

Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui


Até a próxima série! ;-)


Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora - @socialbrasilis

20 junho, 2021

Ponto 5: Financiamentos, parcerias e apoios

 A captação de recursos, como foi falado no post anterior (confira aqui), é muito importante, extensa e exige muita energia da equipe ou do profissional responsável por ela. 

É preciso entender os transmites de quem capta e de onde vai captar os recursos. Cada fonte de captação tem suas próprias exigências, contrapartidas, objetivos e metas a serem alcançadas pela equipe do projeto. 

Ninguém aporta recurso em nada sem que haja retorno para a instituição financiadora. Sempre é uma via de mão dupla, saiba negociar e manter objetivos e metas funcionais e realistas para se realizar dentro do tempo, escopo e recurso repassado para o projeto.

Fonte imagem: https://nossacausa.com/


Existem várias fontes de captação de recursos e o que elas exigem é tempo de dedicação, habilidade e boas propostas. Dentre elas:

1-Editais - Os editais são muitos específicos, ou seja, cada fonte financiadora do edital tem suas próprias exigências, que podem ser muitas, desde documentação extensa, tempo de abertura da organização/empreendimento, faturamento anual e etc. A maioria exige no mínimo dois anos de funcionamento, inscrições estaduais e federais de atuação e faturamento superior a R$100.000,00 anual para empreendimentos na maioria dos casos e isso já inviabiliza a participação de muitos. 

P.S: Esse prazo de funcionamento entre 2 à 3 anos de abertura é conhecido como vale da morte ou probatório das organizações sociais e empreendimentos sociais. É o tempo sem poder concorrer a grandes editais, sem ter acesso a investimento e afins. Muitas organizações/negócios não conseguem sobreviver a esse período e acabam fechando. 

2-Crowdfunding - Para muitos é uma alternativa viável e que enche os olhos. São aquelas famosas vaquinhas virtuais. Você monta sua proposta no site e mobiliza sua rede para doar quantias em dinheiro para seu projeto. Existem várias plataformas específicas para isso como a Benfeitoria, Catarse, Vakinha e etc. Todas com suas regras específicas e percentuais cobrados em cima do montante captado, pois a plataforma também é um empreendimento que precisa se manter e esse é seu modelo de negócio. Algumas é no tudo ou nada ou você capta todo o valor colocado na proposta e se não alcançar perde tudo o que foi doado até ali. Outras você troca recompensas e brindes por diferentes valores e quantias doados, o que pode gerar maior engajamento do público.

P.S 1:  Exige muito planejamento prévio, uma equipe de mobilizadores, redes grandes e a captação começa em si antes mesmo de começar, como? Você já acerta com amigos e familiares doações para quando a vakinha começar, você já ter quantias subindo na campanha, deixando outras pessoas se sentirem mais seguras para doar ou serem atraídas por esse engajamento. 

P.S 2: Já existem plataformas de empréstimos coletivos que funcionam de forma parecida mas ao invés de ter todo montante captado sem precisar prestar contas, você precisará devolver o empréstimo para quem emprestou, né? Tudo isso precisa ser organizado, planejado e com retorno garantido. Exemplos de plataformas de empréstimos coletivos: Sitawi, Firgun, Kiva, Goparty e etc.

P.S 3: Tem ainda os financiamentos recorrentes. São ótimos se sua proposta de projeto é para gerar conteúdo, aulas, podcast's, artigos e etc. Você coloca sua proposta de projeto na plataforma e corre atrás de assinantes para financiarem seu projeto. Os assinantes pagam mensal, semestral ou anualmente para você gerar conteúdo que pode ser consumido por eles ou sustentam sua causa porque se identificam e concordam com ela, legal né? A Benfeitoria é um exemplo de plataforma que tem essa vertente também. 

3- Investimentos - Os investimentos são muito para o campo dos negócios de impacto social que precisam de capital para expandir e aumentar faturamento e por consequência...os seus lucros. Não é simples obter investimento. Muitos pensam que é um investimento semente ou para obter capital de giro, aquele montante de dinheiro necessário para abrir uma empresa, fazer ela rodar até atingir um faturamento adequado por suas próprias vendas, mas não é isso necessariamente, mas também não significa que não pode ser também. O investimento entra, na maioria dos casos, com o negócio mais maduro, organizado, com equipe qualificada e por aí vai. Chegar a esse nível significa enfrentar o vale da morte ou probatório dos negócios. Tem modelos de investimentos diferentes que podem ser obtidos via companhias investidoras como a Nest Investimentos ou por pessoas físicas que são chamadas de investidores-anjo, a mais conhecida no país nessa categoria é a Anjos do Brasil.

P.S 1: A maioria dos investimentos tem equity, ou seja, quem investe ganha percentual de participação na sua empresa. Isso significa que você terá um novo sócio e que ele/ela terão participação nos lucros da empresa e podem influenciar na rotina do trabalho. Essa interferência e participação nos lucros são definidas pelo valor do investimento aportado, portanto, quanto maior, maior podem ser a participação e andamento dentro da empresa. Isso não significa em si que esse novo sócio vai colocar a mão na massa, hein? 

P.S 2: É muito difícil obter investimento de cara, em uma banca de apresentação de pitches, por exemplo. É como começar um relacionamento que tem inúmeras negociações, fases, acertos, investigação, cálculos de retorno de investimento, riscos e etc. Precisa ser paciente e acreditar na ideia.

4-Financiamentos - Os financiamentos são aqueles bem comuns de bancos tradicionais com seus empréstimos, juros e etc. A dica aqui é esperar um momento adequado para pedir esse tipo de financiamento, ter um planejamento de retorno do investimento para poder devolver o empréstimo no tempo correto e entender bem os juros. Escolha o melhor empréstimo pelo tempo de carência (em quanto tempo terá que começar a pagar as parcelas do financiamento) e o valor dos juros, quanto menor, melhor. 

P.S: No terceiro setor existem entidades financiadoras que financiam projetos/ideias com prestação de contas e acompanhamento técnico e sem necessariamente ter que devolver os valores aportados. Ainda são poucas e ainda iniciantes no país, infelizmente. A Phomenta e o Instituto Phi são alguns exemplos.

5- Parcerias e apoios - Quando não se tem acesso a nenhuma das fontes acima, principalmente nos primeiros anos de existência, aí precisa ter jogo de cintura para se articular com possíveis parceiros gerando contrapartidas que não precisem envolver recursos financeiros. Parcerias para uso de espaço físico e em troca você oferece cursos gratuitos ou mentorias, parcerias com trocas de serviço/divulgação para aumentar o número de seguidores nas redes sociais, acordos com membros da equipe e etc. Tudo bem articulado, organizado e documentado. 

P.S: Patrocínios são os mais conhecidos, quando uma empresa investe em algum projeto/causa/ação em troca de divulgação da marca e marketing social. Não são simples de se obter, exigem muitas contrapartidas envolvidas e a empresa patrocinadora precisa ver valor e retorno certos nessa estratégia. 

Enfim, só algumas fontes para se pensar e ver possibilidades. Esse é um assunto bem mais extenso e cada parte tem sua profundidade. O objetivo desse artigo é não romantizar esses recursos e valorizá-los mais e mais em seus projetos e ações. 

Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui


Até a próxima,

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

08 junho, 2021

Pontos 3 e 4: Captação de recursos e de investimentos

A captação de recursos é algo de extrema importância para a sustentabilidade financeira de qualquer iniciativa social, principalmente para o 3º setor (as organizações da sociedade civil) se manterem funcionando.

O ideal é que tenha sempre alguém ou setor responsável somente por essa área dentro da organização social ou do empreendimento. Porém, é muito difícil encontrarmos esse setor organizado porque ele demanda o quê para existir? Recursos. Recursos para manter equipe, equipamentos e especialistas que escrevam projetos ou que desempenhem funções comerciais consistentes e amplas.

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Por isso, obter patrocínios, ganhar editais e obter recursos de fontes variadas não são coisas simples ou fáceis para essas equipes. É um trabalho demorado, customizado e que pode ter ou não resultados de médio à longo prazo. Além disso, existe uma concorrência e essa concorrência é alta, todo o país na disputa por um recurso, fonte, investimento e etc. Aqui será valorizado a organização, o profissionalismo, a excelência, o valor da proposta e o potencial de retorno em forma de resultados de impacto para vencer essa disputa diária.

Com a ascensão do empreendedorismo e a mais crescente onda do setor dos negócios sociais com as startups de impacto social com os vieses de sustentabilidade financeira e impacto social juntos seguindo a linha do "Que tal ganhar dinheiro e mudar o mundo ao mesmo tempo?" possibilitou uma alternativa ao setor: criar ideias de empreendimentos que já nascem estruturados ao faturamento interno com modelos de negócios que possibilitem uma geração de impacto social e renda em conjunto. Isso é bem legal, mas é claro que tudo que é lido é muito fácil, mas a prática nem tanto. Muitos projetos do tipo startup nascem com o objetivo central que é a obtenção de investimento para um capital de giro ou desenvolvimento da tecnologia do projeto para de fato começarem a funcionar e isso não é algo muito fácil de obter. 


Eis a necessidade de se pensar um modelo de negócio consistente, validar esse modelo (saber se na prática funciona) e criar processos e áreas comerciais e de captação de investimentos (para startups) e áreas de captação de recursos com estratégias, processos e métricas próprias dentro de projetos e organizações sociais. Isso não é simples, pode demorar para vir o retorno e demanda muita experiência da equipe gestora e da equipe de captação/comercial.

Para o 3º setor existem profissionais capacitados para funções de captadores de recursos, principalmente no que demanda leis de incentivo fiscais como a lei Rouanet de incentivo a cultura no Brasil, porém, esse é outro assunto e pauta para post's futuros.

Vamos para um case que já acompanhei sobre o imaginário da captação de recursos:


"Uma empresa X quer criar uma imagem de responsabilidade social e para isso quer doar seus resíduos sólidos (sobras de madeira compensada), que sobram da sua produção para uma organização de base social da sua cidade. A proposta é descartar, sem um plano para o projeto de imagem de responsabilidade social. Quando eu descarto eu passo a bola da responsabilidade ambiental para o outro e já não tenho mais responsabilidade sobre o descarte incorreto, sobre o reaproveitamento e afins que são exigidos pela legislação e até pela própria imagem que a empresa quer repassar. Aí a empresa se posiciona dizendo "mas todo mês podemos vir deixar o resíduo, temos muitos e vocês criam aí um projeto, captam aí o recurso, tem muita gente querendo patrocinar algo assim." No final a instituição está com espaços ocupados com resíduos que não podem ser descartados de qualquer forma, sem recurso e sem gente capacitada para criar, tocar e muito menos captar recursos para aquile projeto porque ele no fundo não é viável e funcional. Se o projeto funcionar foi porque a organização social resolveu levá-lo a frente na luta e aí com certeza o representante da empresa vem para se posicionar como "apoiador" do projeto no final sem ter, de fato, contribuído."

Casos como esse romantizam muito a captação de recursos e de patrocínios, pintando-as como coisas simples, fáceis de obter por qualquer instituição social. Muito difícil também tirar do imaginário de que tudo que é doado é algo bom para a organização, né? Será que não é um tiro no pé algumas "doações" que recebemos? Será que tudo é bom é doado para o bem? 

Visão crítica e sistêmica que foram vistas no post anterior são essenciais aqui. Tudo requer um projeto de começo, meio e fim, até para esses casos. 

Ficamos mais atent@s. Ninguém patrocina projetos sem mínima sinergia ou sem contrapartidas muito bem conversadas. Tudo é um processo de negociação que pode e leva tempo para ser fechado, portanto, valorize seus investimentos, apoios, patrocínios e vendas. Projetos bem feitos podem te abrir portas maiores no futuro. 


Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui

Até a próxima,

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

04 junho, 2021

Ponto 2: Olhar Sistêmico e gerenciamento de riscos em projetos

Olhar sistematicamente para um projeto é tentar visualizá-lo por inteiro. É como explanar um mapa (do projeto) sobre uma mesa e ver o princípio, meio e fim da iniciativa, tentando imaginar deficiências de percurso, lacunas e pontos de atenção, fortalezas e riscos. 

Fonte imagem:https://brazilianvoice.com/

Desenvolver esse olhar não é simples. Poucos possuem. Gestores de projetos mais experientes, conhecedores dos problemas e campos de ação são os mais eficazes para esse tipo de visão e por consequência são os que tornam iniciativas mais estruturadas e de impacto positivo e real.

O projeto não é sobre nós, é sobre o impacto gerado. Tirar a visão pessoal do projeto é o primeiro passo para vislumbrar estrategicamente cada setor, passo a passo e controle da ação do principio ao fim. 

Pensar estrategicamente é não dar um tiro no próprio pé lá pelo meio para o fim da ação e ter que se virar nos 30 para tentar consertar algo e fazer o projeto voltar aos trilhos. 

Quando se visualiza um projeto do princípio ao fim já se posiciona equipe, fornecedores, parceiros, recursos necessários e o que é essencial para a iniciativa rodar com prontidão. Essas pessoas e recursos precisam ser capazes, funcionais e aptos para as funções colocadas e a partir disso pensar no gerenciamento de riscos. 

A gestão de riscos é detalhar cada ponto de atenção, lacuna ou ponto de franqueza que possa vir a prejudicar o andamento do projeto, pensando planos de saída e mitigação deles para contornar ou suavizar esses pontos. 

Nem todo ponto de atenção é 100% solucionável, mas pode ser suavizado, mitigado de modo que não cause grandes consequências ao impacto do projeto. Por isso, construir um plano de ação para cada ponto desse e as possíveis consequências que advém dele é fundamental.

Exemplo: 

"Um projeto de informática básica para o público da 3ª idade foi construído para abranger toda a população do Estado do Pernambuco. Como um projeto de inclusão digital, ele foi pensado para atingir as comunidades do interior e zonas rurais, onde o acesso a qualificação é menor do que em capitais e em grandes centros. O projeto foi todo construído por alguém que mora em São Paulo-SP e que não esteve/conhece as áreas foco do projeto. Um dos possíveis riscos é que além da falta de acesso a qualificação, possivelmente a população dessas áreas não tenha acesso a internet ou a internet possa ser via rádio, que é mais lenta e para muitas ferramentas a interação não é receptiva. Ainda pode haver o caso de parte dessa população não ser alfabetizada, portanto, não entenderia 100% da metodologia do projeto de informática e sua linguagem, precisaria pensar em uma adaptação do método com um especialista. Sem ou com pouco acesso a qualificação pode significar que os professores tenham que vir de outras localidades, o que pode implicar custos logísticos e de diárias. Com logística e diárias precisa-se saber que tipo de transportes, pousadas e estruturas ligam e conectam as cidades e a quanto tempo de distância elas ficam uma da outra. Um facilitador pode não conseguir ir e vir no mesmo dia e isso pode ser um custo extra de diária. Logo pode se constatar que em uma dada comunidade mais distante o transporte não chega, apenas carro próprio e por isso pode haver demandas de combustível ou locação de veículo, além da condição das vias que podem trazer custos extras ao projeto por danificar qualquer um desses meios. Isso é uma boa visão sistêmica para visualizar um projeto e criar um plano de gerenciamento de riscos para cada "e se" que surja e que não poderá interferir no impacto final da iniciativa."

Esse plano de riscos pode cobrir portas e lacunas que não foram sequer visualizadas e por isso, no decorrer do projeto, com ele andando, elas precisam ser suavizadas para não afetar a proposta final da iniciativa: o impacto que será gerado.

Não é simples tentar prever, mas um bom estudo do problema, do campo e um bom planejamento prévio ajudam na construção de uma gestão de risco mais ampla e condizente com a realidade, com saídas e rotas de mitigação mais estruturadas.

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Treinar a visão sistêmica e sua intuição para riscos é uma alternativa de desenvolvimento. Participe de projetos de voluntariado, converse com gestores de projetos/empreendimentos sociais, participe de cursos e formações. Se jogue e verá que essa experiência irá retornar para você em um dado momento.

Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui

Até a próxima!

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

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