31 maio, 2021

Ponto 1: Mapeamento e público-alvo do projeto

Construir um projeto significa entender o campo técnico da área e a problemática social que deseja atingir. O impacto social positivo é o resultado disso na prática. 

Tudo começa com um problema! Seja na construção de projetos sociais, seja no empreendedorismo social. Qual problema social você enxerga? Como ele nasceu e se desenvolveu até chegar ao que você ver e percebe nesse momento?

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Pensar o problema é periciá-lo até a sua raiz, onde nasceu, como ele começou, em que contexto/momento histórico, político e social teve origem. O que eu enxergo é uma consequência da raiz de um problema mais amplo? Ou o meu problema central se desenvolve em várias outras consequências que podem ser problemáticas para outros projetos? 

É como uma árvore: busque a raiz, no caule está o problema que você enxerga como central e as consequências é a copa, como frutos dessa raiz e da sua árvore do problema. A árvore dos problemas é uma ferramenta muito eficaz para se discernir a problemática do projeto, veja e estude o exemplo abaixo:

Fonte imagem: https://www.researchgate.net/

A partir dessa análise é hora de mapear e levantar dados reais sobre esse problema. Uma busca no Google, pesquisa de teses científicas e citações que embasem o problema são fundamentais. É sinal que você não está sozinho enxergando esse problema e há estudos que comprovam sua visão. 

A partir disso, você estuda a localidade, a comunidade, as pessoas que são as mais atingidas pela problemática social. Crie entrevistas e esquemas de visita de campo para observar e ver o dia a dia do contexto de forma clara e real. Entreviste moradores, tire fotos, colha relatos, depoimentos e histórias e contos locais. Todo mundo que está no contexto é importante e é um ponto de vista diferente sobre o mesmo lugar. 

Depois dessas análises, é hora de analisar! Analisar as ferramentas, tudo que foi coletado, compilar dados e tentar interpretá-los para chegar em uma conclusão e aí sim pensar um projeto estruturado. Cruzar as necessidades é fundamental para um bom gestor de projetos atingir o real impacto com suas iniciativas. 

No guia PMD PRO 2012 de gestão de projetos sociais esse cruzamento é definido por:

Necessidades sentidas - Um grupo de pessoas que sente e vive esse problema e o apontam como uma necessidade. 

Necessidade expressadas - Aquilo que você enxerga acontecendo no contexto, no dia a dia da comunidade/território. A vivência do problema pela comunidade. 

Necessidade normativa - Um especialista aponta taxas e faz relatos que retratam o problema vivenciado pelo contexto social. 

Necessidade comparativa - Uma pesquisa e estudos trazem análises e dados científicos sobre o problema. 

Cruzar essas informações é compará-las para ver se apontam para o mesmo caminho. Veja na imagem do Guia PMD PRO:


Essa parte inicial é a mais delicada e essencial para qualquer iniciativa. A análise e os resultados devem ser cuidadosos para pensar a estrutura de um projeto, a avaliação e o empreendimento de forma eficaz e direcionada. 

Nem todo mundo faz essa a análise resultando em projetos desestruturados, sem impacto e desorganizados. Vou deixar um exemplo de um projeto que não pensou na problemática social e achou que uma comunidade tinha um problema que, na verdade, não tinha:

"Foi captada uma verba para a construção de uma comunidade sustentável no interior do Ceará. Foi pensado em tudo que teria que ser construído na comunidade. Cisternas de capturas de água da chuva para cada residência era o mais caro do projeto, pois entrava mão-de-obra, estrutura, material e a quantidade de cisternas eram consideráveis. Tudo foi organizado antes: equipe, avaliação e projeto. A primeira visita a  comunidade  aconteceu com o projeto já pronto e com todo recurso captado. Chegando lá, a equipe viu que todas as casas já tinham cisternas providas de projetos governamentais construídas em anos anteriores. O recurso para a construção já estava previsto e tudo estava prontopara a construção e agora? Refazer o projeto, realocar recursos e buscar uma outra comunidade, talvez mais distante mas que de fato precise do projeto das cisternas? O que pode implicar mais recurso de logística/material/recursos humanos... para aplicar em uma nova localidade? O que fazer?"

Esse é um exemplo que não pode ser reaplicado. Essa falha custa recurso, tempo e impacto de qualquer iniciativa, além de ficar em uma situação difícil com o financiador que pagou por algo e precisa ter isso entregue, custe o que custar, mas não pode sair do valor negociado e nem do tempo acordado para a realização do projeto.

Para entender melhor um bom relato de problemática social desde a raiz do problema, assista o documentário AmarELO - É tudo para ontem de Emicida no Netflix. O filme traz narrativas históricas e dados reais contados de uma forma envolvente e explicativa. Confira:


Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui.


Até a próxima! 

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

25 maio, 2021

06 Pontos de atenção sobre gestão de projetos e de empreendimentos sociais

Comecei muito cedo no campo dos projetos sociais. 

É algo que te move. Te inspira a ter um propósito a seguir. Uma vez picado pelo insetinho da transformação social você não se descontamina fácil. Só sabe quem vive, quando você enxerga o impacto positivo na vida de alguém transformado através de uma ação, de um projeto em que você esteve envolvido, algo é incrível. 

Essa é a vida de quem trabalha com projetos sociais. Essa é causa dos empreendedores sociais que constroem soluções em formato de redes, organizações sociais, negócios sociais ou coletivos  informais.

A gestão de projetos sociais ou de desenvolvimento é uma profissão e vem se especializando a cada dia, ficando mais técnica e até tecnológica com o avanço da tecnologia da informação e a chegada da nova economia. O mundo tem mudado e agora muda em uma velocidade máxima. Piscou, pode perder e ficar para trás. 

A mágica, nem sei se é essa a palavra, para os gestores sociais é misturar a técnica com a arte (Guia PMD PRO, 2012). Arte é o amor pela causa, a intuição, a experiência, a empatia junto as técnicas de mercado e gerenciamento de processos que vem do setor administrativo, da economia e da nova era digital. Para bons gestores sociais aliar a causa e a técnica são cruciais para ir à frente e obter, de fato, o impacto positivo, que é o objetivo central de toda iniciativa social. 

Fonte imagem: Guia PMD PRO 2012 - PM4NGOs

Essa premissa é tão importante porque tem sempre muita coisa envolvida em projetos e que precisam ser analisadas. Eu listei 06 pontos de atenção que ao meu ver precisam ser encarados com realidade e que podem causar muitas falhas no gerenciamento: 

1-O público beneficiário, que receberá a ação, são os mais importantes no projeto. Escutá-los é crucial. Construir projetos que não atendem a necessidades reais é uma perca de tempo, de recursos e de parceiros. No final nada acontece, nada de impacto social. Pesquisa, mapeamento e estudo são os primeiros passos para construções estruturadas e mais seguras. Escuta ativa e coleta de informações de quem vivencia os problemas na pele e de forma diária não é algo complementar, é algo que deve ser encarado como fundamental. (Leia o artigo Mapeamento e público-alvo aqui).

2- Olhar sistêmico e gerenciamento de riscos. Quando se constrói projetos, o gestor (a) precisa tentar visualizar o todo: o princípio, o meio e o fim do projeto na íntegra. Isso é a visão sistêmica, pensar o projeto de forma sistêmica, integrada, conjunta, como um sistema de fios que se conectam e fazem uma engrenagem funcionar. A partir disso, pode-se prever possíveis riscos, contratempos que podem vir a acontecer durante a implementação do projeto. A gestão de riscos é criar um plano com alternativas para controlar, mitigar (diminuir efeitos dos eventos) ou evitar o acontecimento danoso. Um risco não previsto pode necessitar de recursos extras e que muitas vezes, o projeto não dispõe, daí a importância de projetos bem construídos e implementados. (Leia o artigo sobre Olhar sistêmico e gestão de riscos aqui)

3-Tentar pular etapas. Projetos e empreendimentos são complexos, negociáveis e estruturados. Respeitar o processo, o tempo, a equipe e as entregas são fundamentais. É profissionalismo puro e reconhecimento ao público-alvo. Controle em todo o percurso e uso de ferramentas funcionais são fundamentais para respeitar as etapas, tempos e entregas. (Leia o artigo sobre pular etapas aqui).

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4- A captação de recursos e de investimentos não é algo fácil. Exige tempo, esforço e dedicação do setor responsável. São horas de trabalho e esforço para retornos em médio à longo prazo. Ter isso em mente, ajuda a pensar em cada estratégia, profissionais e metas para uso do recurso de forma eficiente e direcionada. (Leia o artigo sobre captação de recursos/investimentos aqui).

5-Financiamentos, parcerias e apoios, sobretudo com repasses financeiros, geram exigências do financiador/cliente/contratante. Jogo de cintura para gerenciar recursos e impacto são essenciais, sobretudo, para alinhar as diferentes visões e objetivos de cada parceiro/apoiador. (Leia o artigo sobre Financiamentos, parcerias e apoios aqui).

6- A avaliação de impacto começa antes mesmo de iniciar o projeto. É um projeto a parte, paralelo que exige planejamento, ações, transcrições, pesquisa, análise e cuidado com dados e interpretação eficientes. Não menospreze essa premissa, é ela que você entregará no final e é feita durante toda a vida útil do projeto/empreendimento. Tem gente que até inventa depoimento de beneficiário para entregar relatório porque não fez a coleta no tempo devido da avaliação (xiii). (Leia o artigo sobre avaliação de impacto aqui).

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Esses são apenas seis pontos de atenção, tem muito mais e cada uma se abre em um campo cada vez mais amplo e que são essenciais a vida útil de qualquer ação/projeto.

Vou aprofundar cada um nos próximos post's e trazer novas premissas como acréscimo. 

O importante é desmitificar, não romantizar e construir projetos, ações e empreendimentos sociais mais estruturados e de real impacto social positivo.

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Quais são os pontos de atenção para você? O que te incomoda nessa construção de projetos sociais? Me fala aí nos comentários!!!


Até a próxima,  

Manú Oliveira - Instagram @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - Instagram @socialbrasilis







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