03 agosto, 2021

Como escrever um projeto de impacto social?

Hoje a prática de escrever projetos está mais leve, ou seja, menos texto e mais objetividade, o que facilita e muito o trabalho do leitor que pode ser o avaliador do seu projeto.

Porém, algumas regras permanecem e são imutáveis como, por exemplo, o formato dos objetivos, metas, orçamento, cronograma, e etc. Esses são componentes essenciais para a escrita de um bom projeto.

Fonte imagem: https://www.liderinteriores.com.br/

Por falar em estrutura, listo abaixo a estrutura "padrão" da escrita de um projeto. Essa também não é ditatorial, mas é a mais aplicada e no final o que vale é que o projeto precisa ser exposto com princípio, meio e fim de forma clara e objetiva. 

1-Introdução ( a proposta e o contexto de ação);

2-Justificativa ( o porquê de realizar a ação, falar sobre o impacto positivo que a mesma trará para a sociedade);

3-Objetivo geral ( o direcionamento final do projeto, o que ele quer cumprir);

4-Objetivos específicos (objetivos múltiplos para a realização do objetivo geral);

5-Metas (tarefas operacionais para cumprir os objetivos com tempo de execução e até responsáveis - Nem sempre é algo colocado, mas muitos financiadores podem solicitar);

6-Metodologia (como será a execução do projeto? Qual a prática aplicada?)

7-Avaliação e indicadores (como você irá avaliar os resultados?);

8-Resultados Esperados (o que você espera alcançar ao término da ação?);

9-Cronograma (agenda das ações);

10-Orçamento (quanto vai custar?);

Cada parte dessa tem suas características de escrita e apresentação. Você poderá personalizar e dar sua cara para cada uma em termos de escrita e design, mas o que conta mesmo é transmitir sua mensagem de forma clara, objetiva e direta

Hoje em dia, o modelo de projetos com textos longos e corridos é quase obsoleta, mas ainda existe lugares que cobram esse formato de laudas e documentão com textos mais longos. Entretanto, o texto que couber em uma lâmina PPT (Power Point) é que é o mais prático e vindo mesclado com imagens, pode prender os leitores ainda mais. 

O objetivo central de um projeto é ser lido, em seguida compreendido e sua proposta de valor ser realmente uma necessidade latente para a sociedade. 

Folhas e folhas, páginas e páginas de texto puro podem não agradar ao leitor, não é mesmo? 

Pode ser facilmente esquecível ou negligenciado, mesmo que seu impacto seja excelente, e pode passar batido pelo excesso de texto, falta de coesão e de coerência textual. 

O desafio central da escrita de projetos ou de propostas técnicas de atuação é...a ESCRITA!

Elementos textuais são muito importantes. Aquela aula de redação que você perdeu pode fazer a diferença aqui (rsrs). 

Textos concisos e coerentes são decisivos. A norma culta da língua pode até ser negligenciada um pouco, mas não podemos exagerar nisso, né? Lembre-se que o texto precisa  ser claro, objetivo e direto, por isso é necessário ter:

1- Coesão textual - é a conexão e harmonia entre os elementos textuais e é feita através de preposições, de conjunções, de alguns advérbios e de locuções adverbiais (Fonte: Wikipedia). 

2- Coerência textual - é a característica daquilo que tem lógica e coesão, quando um conjunto de ideias apresenta nexo e uniformidade. Para que algo tenha coerência, este objeto precisa apresentar uma sequência que dê um sentido geral e lógico ao receptor, de forma que não haja contradições ou dúvidas acerca do assunto. (Fonte: significados.com.br)

Eita, agora complicou, não é? 

Coesão é usar palavras de ligação no momento adequado, tal como as demais preposições ou advérbios da língua Portuguesa para concluir frases e continuar ou finalizar parágrafos, dando ideias de finalização e de sequência ao leitor. O leitor precisa entender quando você concluiu uma etapa e está passando para outra dentro do mesmo assunto/campo e isso é a coerência ( o encontro da coesão com a coerência é nesse ponto). 

Coerência em poucas palavras é não fugir do assunto/campo temático. Você desenvolve um texto amplo, mas o dividiu em várias etapas (estrutura do projeto), foi dando ao leitor um pedacinho por vez da sua ideia, fazendo-o entender o campo e a problemática como um todo.

É...eu sei que não é simples. Porém, com treino e prática, pode-se chegar a versão melhor. 

Nos próximos artigos, vamos aprofundar essa estrutura de projetos. 😉

Se você não leu o primeiro artigo (10 Passos para começar a estruturar um projeto/empreendimento social) dessa série, ele está disponível aqui

Até a próxima,

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora do negócio social Social Brasilis - @socialbrasilis 

13 julho, 2021

10 Passos para começar a estruturar um projeto/empreendimento social


Sempre me perguntam: como escrever um projeto? 
Fico sempre pensativa a respeito porque não é uma resposta simples e objetiva de se dar. Posso falar das partes, da importância da escrita, sobre a diferença entre objetivos e metas, mas no fundo...escrever projetos é experiência. 

Fico bem assim, rsrs!


Conforme se exercita, se faz com mais facilidade com o tempo. Se erra, se aprende e se acerta. Porém, antes de mesmo de iniciar a escrever projetos ou planos de negócios em si (se sua ideia tem o viés da sustentabilidade financeira), é melhor pensar na preparação pré-projeto. 

Elaborei 10 passos para começar a estruturar, se preparar e sentir o gostinho do que é um projeto em ação. É loucura total! Você está pront@? 😅


1-Autoconhecimento - Se conheça como pessoa, saiba o que realmente quer realizar na vida.

O processo do autoconhecimento é válido em todas as áreas da vida. Reconheça suas habilidades pessoais: em que realmente és bom, no que pode se aprimorar, o que gosta ou o que não gosta de fazer. O importante é saber o quão flexível você é e até a que ponto está disposto a mudar e adaptar sua ideia/sonho para o meio social. 


2- Conheça sua causa - Estejam atentos aos laços históricos e culturais da comunidade/contexto social.

 

Toda comunidade/contexto/instituição possui especificidades como história e cultura próprias. Por isso, antes de iniciar qualquer trabalho, pesquise a história do local, que tipo de hábitos aqueles moradores possuem e como foi desenvolvido tais hábitos e em que contexto da história geral do país a história da comunidade está inserida, onde localiza-se, de onde essa história e cultura são provenientes. 


3-Pesquise - Pesquise e entre em contato com líderes locais.


Após conhecer a história e principais hábitos dos moradores ou participantes da comunidade, pesquise sobre as lideranças locais, quem são e o que fazem? Marque entrevistas e conversas informais.


4- Conecte-se - Marque visitas/entrevistas a moradores/participantes.


Uma forma bem eficaz de conhecer melhor a comunidade, testar seus conhecimentos e sua ideia de ação é conversando com seus moradores/participantes, perguntando o que os move, o que mais gostam de fazer, o que falta na comunidade, os pontos fortes, o que eles (as) gostariam de mudar na comunidade. Aproveite e fale sobre sua ideia, anote tudo o que foi conversado junto aos contatos das pessoas visitadas/entrevistadas. Não esqueça das fotos, tudo pode gerar uma forma de registro futuro.


5- Organize seus dados - Compile os dados coletados.


Após a realização dos passos acima, é hora de juntar toda a informação adquirida, vista e pesquisada. Coloque tudo no papel e pondere a respeito, desenvolva a sua ideia de ação, vendo o que é ou não viável para a comunidade. 


6– Coloque no papel - Escreva seu projeto/ação.


Coloque tudo no papel, fazendo previsões sobre o que será necessário, como: material pedagógico, espaço físico, quantidade de pessoas, recursos humanos e etc. Depois de escrever e orçar tudo, apresente a proposta para os líderes locais e veja o que se pode adquirir na própria comunidade, pois todas dispõem de galpões, escolas, associações que podem ceder espaço físico ou outros recursos. 


7 – Parcerias - Busque parceiros.


Busque parceiros estratégicos que podem se interessar pela temática de sua ideia, por exemplo: um projeto que será realizado em uma escola, pode interessar a secretarias de educação ou a cursos universitários, que podem ceder recursos financeiros ou humanos ou o envio de estudantes como voluntários para as ações. 


8 – Ação.


Execute ou inicie sua ação. Faça acontecer os primeiros encontros, aulas, ensaios ou qualquer tipo de atividades que seu projeto fomente. 


9- Comunique.


Registre tudo, colete depoimentos que serão uteis ao futuro do projeto. Fique atento as mudanças através da avaliação que deve ser realizada com os participantes, incluindo voluntários, líderes locais e moradores. Crie canais de comunicações como blog, Fanpages nas redes sociais, e-mail, álbuns de fotos e galeria de vídeos. Comunique suas ações ao mundo! 


10 – Avalie.


Após cada ação ou em determinados períodos de tempo realize avaliações junto a sua equipe e aos participantes do projeto. Escute, receba sugestões e adapte críticas que porventura venham a ser uteis a melhorar a estrutura do projeto em ações futuras.


Elaborei uma série de artigos sobre gestão de projetos sociais - está disponível aqui. Confira! 

Esses são apenas alguns pontos para depois de fato colocar no papel sua iniciativa e ir para ações de validação ou prototipagem. Cenas dos próximos artigos! 😉


Até a próxima, 

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora do Social Brasilis - @socialbrasilis 

27 junho, 2021

Ponto 6: Avaliação de impacto social

Avaliar é uma ação para saber se um projeto/iniciativa alcançou seus objetivos e metas de impacto social e estratégias. É importante saber medir o impacto de um projeto em um dado contexto social. O que o projeto contribuiu para transformar a vida de alguém, o que mudou para melhor na cidade, no bairro, o que acrescentou de positivo ou influenciou para a mudança de trajetória na vida de alguém? 

Essas são questões muito difíceis de avaliar. Criar um projeto de avaliação de impacto exige tempo e esforço da equipe avaliadora para conhecer cada componente que faz parte do projeto, mapear a área de atuação e os agentes importantes daquele lugar, mesmo que eles tenham apenas um contato indireto com o projeto em si. 

A avaliação pode ser considerada um projeto a parte e que deve acontecer em paralelo ao projeto. Conter seus próprios objetivos, a escolha de técnicas de captura de dados e mensuração, a construção de indicadores estratégicos e etc. Para isso, precisa-se conhecer o território da ação, o projeto, seus dados, a equipe e o público-alvo com suas necessidades e desafios já mapeados para saber comparar e melhor avaliar os dados. 

Fonte imagem: https://artia.com/blog/3-dicas-para-avaliar-o-seu-projeto/


Não é uma tarefa simples avaliar projetos. Exige experiência do avaliador tanto em gestão de projetos, como no domínio das técnicas e ferramentas de avaliação. 

Existem várias ferramentas que auxiliam na avaliação de impacto como a teoria da mudança e demais matrizes e métodos. Além disso, o mundo acadêmico prover vários níveis e técnicas de pesquisa e mensuração de dados. A avaliação é como um processo investigativo e de pesquisa para o avaliador e tem muita sinergia com os processos acadêmicos científicos. 

Usar técnicas como entrevistas, grupos focais, observações participantes e questionários são exemplos de algumas técnicas/ferramentas para capturar dados para avaliar. Esses são assuntos muito extensos e que não adentraremos no momento, mas é bom saber o quanto pode ser complexa e importante um bom projeto de avaliação de impacto aplicado a uma iniciativa social. 

Entrevista com jovens participantes de um projeto de robótica educacional


Organizações da sociedade civil e empreendimentos sociais precisam avaliar o impacto de suas ações de forma paralela, ou seja, durante todo o ano, em cada projeto desenvolvido para ter relatórios anuais de impacto que precisam ser divulgados e que geram transparência e credibilidade para a instituição.

Poucas organizações e negócios sociais realizam isso, pois é uma tarefa complexa. A maioria das organizações e negócios sociais que já divulgam suas ações em forma de relatórios de impacto são grandes, com maior tempo de atuação e com equipes já maduras e preparadas. Porém, isso não quer dizer que os projetos de instituições menores não precisem ser avaliados, pelo contrário, é sobre resultados e sobre o impacto que muitos conseguem fechar parcerias, contratos e investimentos. Portanto, elabore seu projeto de avaliação e uma captação de dados e resultados de forma paralela em cada iniciativa e organize esses dados, eles são uteis para a credibilidade e portfólio institucional.

Agora, vamos de case sobre o mito da avaliação de impacto social na prática:

"Uma instituição fez um convite para um avaliador de impacto iniciar um projeto de avaliação para um dos projetos dela, que já estava a alguns anos em funcionamento e que nunca foi coletado nenhum dado. O avaliador recebeu algumas informações sobre o projeto em formato de ppt's institucionais (slides). Teve acesso a alguns contatos com alguns agentes-chave da iniciativa e montou um esquema para a criar o projeto, mas antes propôs uma atividade com o grupo dos agentes-chave para conhecê-los e para melhor capturar as necessidades, feedback's e direcionamentos do grupo. A atividade transcorreu de forma positiva, integradora e direcionada com uso de instrumentais para a avaliação das necessidades e problemática social. A partir disso, foi escolhido as técnicas e os lugares para coleta como entrevistas, fazer observações, registros e a criação dos indicadores e etc. Tudo seria entregue em quatro meses, um tempo curto para avaliar uma ação de anos e sem dados, mas foi o acordado. Em uma semana após a primeira interação com os agentes, o avaliador começou a ser cobrado por indicadores, dados específicos e oficiais do projeto. Virou uma rotina dura e de constrangimentos para o avaliador. De repente, a instituição começou a criticar as práticas aplicadas, as entrevistas com os agentes e não queria que o avaliador falasse com as pessoas da comunidade. Não é possível avaliar um projeto sem que os dados não sejam reais ou de acordo com a vivência e a cultura local do território de aplicação do projeto. A partir disso a instituição começou a criticar e menosprezar seus próprios agentes, dizendo que não eram capazes de relatar nenhum dado e por isso queria que o avaliador elaborasse ele mesmo os próprios dados. Chegado a esse ponto o avaliador resolveu desistir do projeto e sair da iniciativa. Não vale a pena passar por tudo isso por querer fazer um trabalho bem feito e correto." O que você faria?

Infelizmente esse é um caso real. No universo dos projetos há muitos puladores de etapa não preocupados com o impacto real de iniciativas e projetos. Não se preocupam com o público-alvo e muito menos com o problema que desejam resolver. Quando falamos de impacto isso ainda é um problema maior, porque poucos o avaliam e poucos entendem a real importância disso. 

Escolher o caminho mais fácil é para muitos, mas escolher o mais difícil e bem feito é para poucos e para bons gestores de projetos e para instituições de real impacto.

Chegamos ao fim da nossa primeira série de artigos. 

Obrigada por ter me acompanhado até aqui...em breve mais artigos e séries. Deixe nos comentários sugestões de temas que deseja ver por aqui dos campos da gestão de projetos e empreendedimentos sociais. 

Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui


Até a próxima série! ;-)


Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora - @socialbrasilis

20 junho, 2021

Ponto 5: Financiamentos, parcerias e apoios

 A captação de recursos, como foi falado no post anterior (confira aqui), é muito importante, extensa e exige muita energia da equipe ou do profissional responsável por ela. 

É preciso entender os transmites de quem capta e de onde vai captar os recursos. Cada fonte de captação tem suas próprias exigências, contrapartidas, objetivos e metas a serem alcançadas pela equipe do projeto. 

Ninguém aporta recurso em nada sem que haja retorno para a instituição financiadora. Sempre é uma via de mão dupla, saiba negociar e manter objetivos e metas funcionais e realistas para se realizar dentro do tempo, escopo e recurso repassado para o projeto.

Fonte imagem: https://nossacausa.com/


Existem várias fontes de captação de recursos e o que elas exigem é tempo de dedicação, habilidade e boas propostas. Dentre elas:

1-Editais - Os editais são muitos específicos, ou seja, cada fonte financiadora do edital tem suas próprias exigências, que podem ser muitas, desde documentação extensa, tempo de abertura da organização/empreendimento, faturamento anual e etc. A maioria exige no mínimo dois anos de funcionamento, inscrições estaduais e federais de atuação e faturamento superior a R$100.000,00 anual para empreendimentos na maioria dos casos e isso já inviabiliza a participação de muitos. 

P.S: Esse prazo de funcionamento entre 2 à 3 anos de abertura é conhecido como vale da morte ou probatório das organizações sociais e empreendimentos sociais. É o tempo sem poder concorrer a grandes editais, sem ter acesso a investimento e afins. Muitas organizações/negócios não conseguem sobreviver a esse período e acabam fechando. 

2-Crowdfunding - Para muitos é uma alternativa viável e que enche os olhos. São aquelas famosas vaquinhas virtuais. Você monta sua proposta no site e mobiliza sua rede para doar quantias em dinheiro para seu projeto. Existem várias plataformas específicas para isso como a Benfeitoria, Catarse, Vakinha e etc. Todas com suas regras específicas e percentuais cobrados em cima do montante captado, pois a plataforma também é um empreendimento que precisa se manter e esse é seu modelo de negócio. Algumas é no tudo ou nada ou você capta todo o valor colocado na proposta e se não alcançar perde tudo o que foi doado até ali. Outras você troca recompensas e brindes por diferentes valores e quantias doados, o que pode gerar maior engajamento do público.

P.S 1:  Exige muito planejamento prévio, uma equipe de mobilizadores, redes grandes e a captação começa em si antes mesmo de começar, como? Você já acerta com amigos e familiares doações para quando a vakinha começar, você já ter quantias subindo na campanha, deixando outras pessoas se sentirem mais seguras para doar ou serem atraídas por esse engajamento. 

P.S 2: Já existem plataformas de empréstimos coletivos que funcionam de forma parecida mas ao invés de ter todo montante captado sem precisar prestar contas, você precisará devolver o empréstimo para quem emprestou, né? Tudo isso precisa ser organizado, planejado e com retorno garantido. Exemplos de plataformas de empréstimos coletivos: Sitawi, Firgun, Kiva, Goparty e etc.

P.S 3: Tem ainda os financiamentos recorrentes. São ótimos se sua proposta de projeto é para gerar conteúdo, aulas, podcast's, artigos e etc. Você coloca sua proposta de projeto na plataforma e corre atrás de assinantes para financiarem seu projeto. Os assinantes pagam mensal, semestral ou anualmente para você gerar conteúdo que pode ser consumido por eles ou sustentam sua causa porque se identificam e concordam com ela, legal né? A Benfeitoria é um exemplo de plataforma que tem essa vertente também. 

3- Investimentos - Os investimentos são muito para o campo dos negócios de impacto social que precisam de capital para expandir e aumentar faturamento e por consequência...os seus lucros. Não é simples obter investimento. Muitos pensam que é um investimento semente ou para obter capital de giro, aquele montante de dinheiro necessário para abrir uma empresa, fazer ela rodar até atingir um faturamento adequado por suas próprias vendas, mas não é isso necessariamente, mas também não significa que não pode ser também. O investimento entra, na maioria dos casos, com o negócio mais maduro, organizado, com equipe qualificada e por aí vai. Chegar a esse nível significa enfrentar o vale da morte ou probatório dos negócios. Tem modelos de investimentos diferentes que podem ser obtidos via companhias investidoras como a Nest Investimentos ou por pessoas físicas que são chamadas de investidores-anjo, a mais conhecida no país nessa categoria é a Anjos do Brasil.

P.S 1: A maioria dos investimentos tem equity, ou seja, quem investe ganha percentual de participação na sua empresa. Isso significa que você terá um novo sócio e que ele/ela terão participação nos lucros da empresa e podem influenciar na rotina do trabalho. Essa interferência e participação nos lucros são definidas pelo valor do investimento aportado, portanto, quanto maior, maior podem ser a participação e andamento dentro da empresa. Isso não significa em si que esse novo sócio vai colocar a mão na massa, hein? 

P.S 2: É muito difícil obter investimento de cara, em uma banca de apresentação de pitches, por exemplo. É como começar um relacionamento que tem inúmeras negociações, fases, acertos, investigação, cálculos de retorno de investimento, riscos e etc. Precisa ser paciente e acreditar na ideia.

4-Financiamentos - Os financiamentos são aqueles bem comuns de bancos tradicionais com seus empréstimos, juros e etc. A dica aqui é esperar um momento adequado para pedir esse tipo de financiamento, ter um planejamento de retorno do investimento para poder devolver o empréstimo no tempo correto e entender bem os juros. Escolha o melhor empréstimo pelo tempo de carência (em quanto tempo terá que começar a pagar as parcelas do financiamento) e o valor dos juros, quanto menor, melhor. 

P.S: No terceiro setor existem entidades financiadoras que financiam projetos/ideias com prestação de contas e acompanhamento técnico e sem necessariamente ter que devolver os valores aportados. Ainda são poucas e ainda iniciantes no país, infelizmente. A Phomenta e o Instituto Phi são alguns exemplos.

5- Parcerias e apoios - Quando não se tem acesso a nenhuma das fontes acima, principalmente nos primeiros anos de existência, aí precisa ter jogo de cintura para se articular com possíveis parceiros gerando contrapartidas que não precisem envolver recursos financeiros. Parcerias para uso de espaço físico e em troca você oferece cursos gratuitos ou mentorias, parcerias com trocas de serviço/divulgação para aumentar o número de seguidores nas redes sociais, acordos com membros da equipe e etc. Tudo bem articulado, organizado e documentado. 

P.S: Patrocínios são os mais conhecidos, quando uma empresa investe em algum projeto/causa/ação em troca de divulgação da marca e marketing social. Não são simples de se obter, exigem muitas contrapartidas envolvidas e a empresa patrocinadora precisa ver valor e retorno certos nessa estratégia. 

Enfim, só algumas fontes para se pensar e ver possibilidades. Esse é um assunto bem mais extenso e cada parte tem sua profundidade. O objetivo desse artigo é não romantizar esses recursos e valorizá-los mais e mais em seus projetos e ações. 

Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui


Até a próxima,

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

08 junho, 2021

Pontos 3 e 4: Captação de recursos e de investimentos

A captação de recursos é algo de extrema importância para a sustentabilidade financeira de qualquer iniciativa social, principalmente para o 3º setor (as organizações da sociedade civil) se manterem funcionando.

O ideal é que tenha sempre alguém ou setor responsável somente por essa área dentro da organização social ou do empreendimento. Porém, é muito difícil encontrarmos esse setor organizado porque ele demanda o quê para existir? Recursos. Recursos para manter equipe, equipamentos e especialistas que escrevam projetos ou que desempenhem funções comerciais consistentes e amplas.

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Por isso, obter patrocínios, ganhar editais e obter recursos de fontes variadas não são coisas simples ou fáceis para essas equipes. É um trabalho demorado, customizado e que pode ter ou não resultados de médio à longo prazo. Além disso, existe uma concorrência e essa concorrência é alta, todo o país na disputa por um recurso, fonte, investimento e etc. Aqui será valorizado a organização, o profissionalismo, a excelência, o valor da proposta e o potencial de retorno em forma de resultados de impacto para vencer essa disputa diária.

Com a ascensão do empreendedorismo e a mais crescente onda do setor dos negócios sociais com as startups de impacto social com os vieses de sustentabilidade financeira e impacto social juntos seguindo a linha do "Que tal ganhar dinheiro e mudar o mundo ao mesmo tempo?" possibilitou uma alternativa ao setor: criar ideias de empreendimentos que já nascem estruturados ao faturamento interno com modelos de negócios que possibilitem uma geração de impacto social e renda em conjunto. Isso é bem legal, mas é claro que tudo que é lido é muito fácil, mas a prática nem tanto. Muitos projetos do tipo startup nascem com o objetivo central que é a obtenção de investimento para um capital de giro ou desenvolvimento da tecnologia do projeto para de fato começarem a funcionar e isso não é algo muito fácil de obter. 


Eis a necessidade de se pensar um modelo de negócio consistente, validar esse modelo (saber se na prática funciona) e criar processos e áreas comerciais e de captação de investimentos (para startups) e áreas de captação de recursos com estratégias, processos e métricas próprias dentro de projetos e organizações sociais. Isso não é simples, pode demorar para vir o retorno e demanda muita experiência da equipe gestora e da equipe de captação/comercial.

Para o 3º setor existem profissionais capacitados para funções de captadores de recursos, principalmente no que demanda leis de incentivo fiscais como a lei Rouanet de incentivo a cultura no Brasil, porém, esse é outro assunto e pauta para post's futuros.

Vamos para um case que já acompanhei sobre o imaginário da captação de recursos:


"Uma empresa X quer criar uma imagem de responsabilidade social e para isso quer doar seus resíduos sólidos (sobras de madeira compensada), que sobram da sua produção para uma organização de base social da sua cidade. A proposta é descartar, sem um plano para o projeto de imagem de responsabilidade social. Quando eu descarto eu passo a bola da responsabilidade ambiental para o outro e já não tenho mais responsabilidade sobre o descarte incorreto, sobre o reaproveitamento e afins que são exigidos pela legislação e até pela própria imagem que a empresa quer repassar. Aí a empresa se posiciona dizendo "mas todo mês podemos vir deixar o resíduo, temos muitos e vocês criam aí um projeto, captam aí o recurso, tem muita gente querendo patrocinar algo assim." No final a instituição está com espaços ocupados com resíduos que não podem ser descartados de qualquer forma, sem recurso e sem gente capacitada para criar, tocar e muito menos captar recursos para aquile projeto porque ele no fundo não é viável e funcional. Se o projeto funcionar foi porque a organização social resolveu levá-lo a frente na luta e aí com certeza o representante da empresa vem para se posicionar como "apoiador" do projeto no final sem ter, de fato, contribuído."

Casos como esse romantizam muito a captação de recursos e de patrocínios, pintando-as como coisas simples, fáceis de obter por qualquer instituição social. Muito difícil também tirar do imaginário de que tudo que é doado é algo bom para a organização, né? Será que não é um tiro no pé algumas "doações" que recebemos? Será que tudo é bom é doado para o bem? 

Visão crítica e sistêmica que foram vistas no post anterior são essenciais aqui. Tudo requer um projeto de começo, meio e fim, até para esses casos. 

Ficamos mais atent@s. Ninguém patrocina projetos sem mínima sinergia ou sem contrapartidas muito bem conversadas. Tudo é um processo de negociação que pode e leva tempo para ser fechado, portanto, valorize seus investimentos, apoios, patrocínios e vendas. Projetos bem feitos podem te abrir portas maiores no futuro. 


Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui

Até a próxima,

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

04 junho, 2021

Ponto 2: Olhar Sistêmico e gerenciamento de riscos em projetos

Olhar sistematicamente para um projeto é tentar visualizá-lo por inteiro. É como explanar um mapa (do projeto) sobre uma mesa e ver o princípio, meio e fim da iniciativa, tentando imaginar deficiências de percurso, lacunas e pontos de atenção, fortalezas e riscos. 

Fonte imagem:https://brazilianvoice.com/

Desenvolver esse olhar não é simples. Poucos possuem. Gestores de projetos mais experientes, conhecedores dos problemas e campos de ação são os mais eficazes para esse tipo de visão e por consequência são os que tornam iniciativas mais estruturadas e de impacto positivo e real.

O projeto não é sobre nós, é sobre o impacto gerado. Tirar a visão pessoal do projeto é o primeiro passo para vislumbrar estrategicamente cada setor, passo a passo e controle da ação do principio ao fim. 

Pensar estrategicamente é não dar um tiro no próprio pé lá pelo meio para o fim da ação e ter que se virar nos 30 para tentar consertar algo e fazer o projeto voltar aos trilhos. 

Quando se visualiza um projeto do princípio ao fim já se posiciona equipe, fornecedores, parceiros, recursos necessários e o que é essencial para a iniciativa rodar com prontidão. Essas pessoas e recursos precisam ser capazes, funcionais e aptos para as funções colocadas e a partir disso pensar no gerenciamento de riscos. 

A gestão de riscos é detalhar cada ponto de atenção, lacuna ou ponto de franqueza que possa vir a prejudicar o andamento do projeto, pensando planos de saída e mitigação deles para contornar ou suavizar esses pontos. 

Nem todo ponto de atenção é 100% solucionável, mas pode ser suavizado, mitigado de modo que não cause grandes consequências ao impacto do projeto. Por isso, construir um plano de ação para cada ponto desse e as possíveis consequências que advém dele é fundamental.

Exemplo: 

"Um projeto de informática básica para o público da 3ª idade foi construído para abranger toda a população do Estado do Pernambuco. Como um projeto de inclusão digital, ele foi pensado para atingir as comunidades do interior e zonas rurais, onde o acesso a qualificação é menor do que em capitais e em grandes centros. O projeto foi todo construído por alguém que mora em São Paulo-SP e que não esteve/conhece as áreas foco do projeto. Um dos possíveis riscos é que além da falta de acesso a qualificação, possivelmente a população dessas áreas não tenha acesso a internet ou a internet possa ser via rádio, que é mais lenta e para muitas ferramentas a interação não é receptiva. Ainda pode haver o caso de parte dessa população não ser alfabetizada, portanto, não entenderia 100% da metodologia do projeto de informática e sua linguagem, precisaria pensar em uma adaptação do método com um especialista. Sem ou com pouco acesso a qualificação pode significar que os professores tenham que vir de outras localidades, o que pode implicar custos logísticos e de diárias. Com logística e diárias precisa-se saber que tipo de transportes, pousadas e estruturas ligam e conectam as cidades e a quanto tempo de distância elas ficam uma da outra. Um facilitador pode não conseguir ir e vir no mesmo dia e isso pode ser um custo extra de diária. Logo pode se constatar que em uma dada comunidade mais distante o transporte não chega, apenas carro próprio e por isso pode haver demandas de combustível ou locação de veículo, além da condição das vias que podem trazer custos extras ao projeto por danificar qualquer um desses meios. Isso é uma boa visão sistêmica para visualizar um projeto e criar um plano de gerenciamento de riscos para cada "e se" que surja e que não poderá interferir no impacto final da iniciativa."

Esse plano de riscos pode cobrir portas e lacunas que não foram sequer visualizadas e por isso, no decorrer do projeto, com ele andando, elas precisam ser suavizadas para não afetar a proposta final da iniciativa: o impacto que será gerado.

Não é simples tentar prever, mas um bom estudo do problema, do campo e um bom planejamento prévio ajudam na construção de uma gestão de risco mais ampla e condizente com a realidade, com saídas e rotas de mitigação mais estruturadas.

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Treinar a visão sistêmica e sua intuição para riscos é uma alternativa de desenvolvimento. Participe de projetos de voluntariado, converse com gestores de projetos/empreendimentos sociais, participe de cursos e formações. Se jogue e verá que essa experiência irá retornar para você em um dado momento.

Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui

Até a próxima!

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

31 maio, 2021

Ponto 1: Mapeamento e público-alvo do projeto

Construir um projeto significa entender o campo técnico da área e a problemática social que deseja atingir. O impacto social positivo é o resultado disso na prática. 

Tudo começa com um problema! Seja na construção de projetos sociais, seja no empreendedorismo social. Qual problema social você enxerga? Como ele nasceu e se desenvolveu até chegar ao que você ver e percebe nesse momento?

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Pensar o problema é periciá-lo até a sua raiz, onde nasceu, como ele começou, em que contexto/momento histórico, político e social teve origem. O que eu enxergo é uma consequência da raiz de um problema mais amplo? Ou o meu problema central se desenvolve em várias outras consequências que podem ser problemáticas para outros projetos? 

É como uma árvore: busque a raiz, no caule está o problema que você enxerga como central e as consequências é a copa, como frutos dessa raiz e da sua árvore do problema. A árvore dos problemas é uma ferramenta muito eficaz para se discernir a problemática do projeto, veja e estude o exemplo abaixo:

Fonte imagem: https://www.researchgate.net/

A partir dessa análise é hora de mapear e levantar dados reais sobre esse problema. Uma busca no Google, pesquisa de teses científicas e citações que embasem o problema são fundamentais. É sinal que você não está sozinho enxergando esse problema e há estudos que comprovam sua visão. 

A partir disso, você estuda a localidade, a comunidade, as pessoas que são as mais atingidas pela problemática social. Crie entrevistas e esquemas de visita de campo para observar e ver o dia a dia do contexto de forma clara e real. Entreviste moradores, tire fotos, colha relatos, depoimentos e histórias e contos locais. Todo mundo que está no contexto é importante e é um ponto de vista diferente sobre o mesmo lugar. 

Depois dessas análises, é hora de analisar! Analisar as ferramentas, tudo que foi coletado, compilar dados e tentar interpretá-los para chegar em uma conclusão e aí sim pensar um projeto estruturado. Cruzar as necessidades é fundamental para um bom gestor de projetos atingir o real impacto com suas iniciativas. 

No guia PMD PRO 2012 de gestão de projetos sociais esse cruzamento é definido por:

Necessidades sentidas - Um grupo de pessoas que sente e vive esse problema e o apontam como uma necessidade. 

Necessidade expressadas - Aquilo que você enxerga acontecendo no contexto, no dia a dia da comunidade/território. A vivência do problema pela comunidade. 

Necessidade normativa - Um especialista aponta taxas e faz relatos que retratam o problema vivenciado pelo contexto social. 

Necessidade comparativa - Uma pesquisa e estudos trazem análises e dados científicos sobre o problema. 

Cruzar essas informações é compará-las para ver se apontam para o mesmo caminho. Veja na imagem do Guia PMD PRO:


Essa parte inicial é a mais delicada e essencial para qualquer iniciativa. A análise e os resultados devem ser cuidadosos para pensar a estrutura de um projeto, a avaliação e o empreendimento de forma eficaz e direcionada. 

Nem todo mundo faz essa a análise resultando em projetos desestruturados, sem impacto e desorganizados. Vou deixar um exemplo de um projeto que não pensou na problemática social e achou que uma comunidade tinha um problema que, na verdade, não tinha:

"Foi captada uma verba para a construção de uma comunidade sustentável no interior do Ceará. Foi pensado em tudo que teria que ser construído na comunidade. Cisternas de capturas de água da chuva para cada residência era o mais caro do projeto, pois entrava mão-de-obra, estrutura, material e a quantidade de cisternas eram consideráveis. Tudo foi organizado antes: equipe, avaliação e projeto. A primeira visita a  comunidade  aconteceu com o projeto já pronto e com todo recurso captado. Chegando lá, a equipe viu que todas as casas já tinham cisternas providas de projetos governamentais construídas em anos anteriores. O recurso para a construção já estava previsto e tudo estava prontopara a construção e agora? Refazer o projeto, realocar recursos e buscar uma outra comunidade, talvez mais distante mas que de fato precise do projeto das cisternas? O que pode implicar mais recurso de logística/material/recursos humanos... para aplicar em uma nova localidade? O que fazer?"

Esse é um exemplo que não pode ser reaplicado. Essa falha custa recurso, tempo e impacto de qualquer iniciativa, além de ficar em uma situação difícil com o financiador que pagou por algo e precisa ter isso entregue, custe o que custar, mas não pode sair do valor negociado e nem do tempo acordado para a realização do projeto.

Para entender melhor um bom relato de problemática social desde a raiz do problema, assista o documentário AmarELO - É tudo para ontem de Emicida no Netflix. O filme traz narrativas históricas e dados reais contados de uma forma envolvente e explicativa. Confira:


Caso você não tenha acompanhado toda série, segue link do 1º artigo disponível aqui.


Até a próxima! 

Manú Oliveira - @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - @socialbrasilis

25 maio, 2021

06 Pontos de atenção sobre gestão de projetos e de empreendimentos sociais

Comecei muito cedo no campo dos projetos sociais. 

É algo que te move. Te inspira a ter um propósito a seguir. Uma vez picado pelo insetinho da transformação social você não se descontamina fácil. Só sabe quem vive, quando você enxerga o impacto positivo na vida de alguém transformado através de uma ação, de um projeto em que você esteve envolvido, algo é incrível. 

Essa é a vida de quem trabalha com projetos sociais. Essa é causa dos empreendedores sociais que constroem soluções em formato de redes, organizações sociais, negócios sociais ou coletivos  informais.

A gestão de projetos sociais ou de desenvolvimento é uma profissão e vem se especializando a cada dia, ficando mais técnica e até tecnológica com o avanço da tecnologia da informação e a chegada da nova economia. O mundo tem mudado e agora muda em uma velocidade máxima. Piscou, pode perder e ficar para trás. 

A mágica, nem sei se é essa a palavra, para os gestores sociais é misturar a técnica com a arte (Guia PMD PRO, 2012). Arte é o amor pela causa, a intuição, a experiência, a empatia junto as técnicas de mercado e gerenciamento de processos que vem do setor administrativo, da economia e da nova era digital. Para bons gestores sociais aliar a causa e a técnica são cruciais para ir à frente e obter, de fato, o impacto positivo, que é o objetivo central de toda iniciativa social. 

Fonte imagem: Guia PMD PRO 2012 - PM4NGOs

Essa premissa é tão importante porque tem sempre muita coisa envolvida em projetos e que precisam ser analisadas. Eu listei 06 pontos de atenção que ao meu ver precisam ser encarados com realidade e que podem causar muitas falhas no gerenciamento: 

1-O público beneficiário, que receberá a ação, são os mais importantes no projeto. Escutá-los é crucial. Construir projetos que não atendem a necessidades reais é uma perca de tempo, de recursos e de parceiros. No final nada acontece, nada de impacto social. Pesquisa, mapeamento e estudo são os primeiros passos para construções estruturadas e mais seguras. Escuta ativa e coleta de informações de quem vivencia os problemas na pele e de forma diária não é algo complementar, é algo que deve ser encarado como fundamental. (Leia o artigo Mapeamento e público-alvo aqui).

2- Olhar sistêmico e gerenciamento de riscos. Quando se constrói projetos, o gestor (a) precisa tentar visualizar o todo: o princípio, o meio e o fim do projeto na íntegra. Isso é a visão sistêmica, pensar o projeto de forma sistêmica, integrada, conjunta, como um sistema de fios que se conectam e fazem uma engrenagem funcionar. A partir disso, pode-se prever possíveis riscos, contratempos que podem vir a acontecer durante a implementação do projeto. A gestão de riscos é criar um plano com alternativas para controlar, mitigar (diminuir efeitos dos eventos) ou evitar o acontecimento danoso. Um risco não previsto pode necessitar de recursos extras e que muitas vezes, o projeto não dispõe, daí a importância de projetos bem construídos e implementados. (Leia o artigo sobre Olhar sistêmico e gestão de riscos aqui)

3-Tentar pular etapas. Projetos e empreendimentos são complexos, negociáveis e estruturados. Respeitar o processo, o tempo, a equipe e as entregas são fundamentais. É profissionalismo puro e reconhecimento ao público-alvo. Controle em todo o percurso e uso de ferramentas funcionais são fundamentais para respeitar as etapas, tempos e entregas. (Leia o artigo sobre pular etapas aqui).

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4- A captação de recursos e de investimentos não é algo fácil. Exige tempo, esforço e dedicação do setor responsável. São horas de trabalho e esforço para retornos em médio à longo prazo. Ter isso em mente, ajuda a pensar em cada estratégia, profissionais e metas para uso do recurso de forma eficiente e direcionada. (Leia o artigo sobre captação de recursos/investimentos aqui).

5-Financiamentos, parcerias e apoios, sobretudo com repasses financeiros, geram exigências do financiador/cliente/contratante. Jogo de cintura para gerenciar recursos e impacto são essenciais, sobretudo, para alinhar as diferentes visões e objetivos de cada parceiro/apoiador. (Leia o artigo sobre Financiamentos, parcerias e apoios aqui).

6- A avaliação de impacto começa antes mesmo de iniciar o projeto. É um projeto a parte, paralelo que exige planejamento, ações, transcrições, pesquisa, análise e cuidado com dados e interpretação eficientes. Não menospreze essa premissa, é ela que você entregará no final e é feita durante toda a vida útil do projeto/empreendimento. Tem gente que até inventa depoimento de beneficiário para entregar relatório porque não fez a coleta no tempo devido da avaliação (xiii). (Leia o artigo sobre avaliação de impacto aqui).

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Esses são apenas seis pontos de atenção, tem muito mais e cada uma se abre em um campo cada vez mais amplo e que são essenciais a vida útil de qualquer ação/projeto.

Vou aprofundar cada um nos próximos post's e trazer novas premissas como acréscimo. 

O importante é desmitificar, não romantizar e construir projetos, ações e empreendimentos sociais mais estruturados e de real impacto social positivo.

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Quais são os pontos de atenção para você? O que te incomoda nessa construção de projetos sociais? Me fala aí nos comentários!!!


Até a próxima,  

Manú Oliveira - Instagram @manu_brasilis

Fundadora Social Brasilis - Instagram @socialbrasilis







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