domingo, 26 de agosto de 2018

Jornada Olhares - Meu diário de bordo - parte 03

Para iniciar - Moreilândia é um município Brasileiro do estado de Pernambuco. Administrativamente, o município é formado pelos distritos sede e Cariri mirim e Vila São João (Fonte: Wikipédia). 

Pois bem, já devidamente definida seguimos para nosso relato que tem como cenário Moreilândia e seu distrito Cariri mirim, que tive a honra de conhecer.

Seguimos eu e Elvis nessa jornada, jornada mesmo porque não é muito simples chegar em Moreilândia se você sair de Fortaleza-CE. Pegamos um voo até Juazeiro do Norte, de Juazeiro fomos até o centro do Crato e buscamos um posto de gasolina qualquer (difícil de achar...) onde os carros de horário (lotações) seguiam para Moreilândia-PE. Encontramos o posto mas não os carros, populares afirmaram que era aquele mesmo posto o local do Carro do Sr. Chicão (vou chamá-lo assim) para seguir rumo a Moreilândia às 14h. Esperamos até as 16h e nada do Sr.Chicão aparecer...já estávamos achando que ele não iria mais, enquanto isso aproveitei para bolar várias estratégias de como subir no carro (tava enferrujada). Isso mesmo, você leu estratégias para subir no carro...a condução era com mini-pau de arara, uma D20 adaptada para o transporte de pessoas. Eu achava que D20's estavam extintas, mas tudo bem...e chegou Sr. Chicão às 17h. 
Do nada e de todos os lugares começou aparecer gente pra ir com ele...estávamos ali a horas e não tinha ninguém e do nada apareceu gente.



Para nosso alento, fomos dentro da cabine serra a cima e a noite (lembram das onças do post anterior??? pois é, aquela estrada...). Quando começou a subir a serra rumo à Moreilândia sentia frio, um vento gelado da serra entrava pelo carro, eu tremia de frio, imersa em um breu sem fim, só as luzes do carro e mais os ocupantes dentro dele, parecia cenas de filme de suspense que a qualquer momento, em uma daquelas curvas, iria aparecer alguém, um carro, uma moto e seria um por todos e todos por um...pois é...eu sou Bob em meu mundo da imaginação, rsrs!! 



Eu e Elvis rumo à Moreilândia-PE
Chegamos bem, congelados, famintos, cheios de poeira (era uma estrada meio de rally) e prontos para ficar na pousada de D. Clementina Augusta (vou chamá-la assim, mas era bem assim...). Era uma pousada, estilo pensão familiar, aliás, era a casa dela mesmo...um casarão antigo, enorme, com mobília antiga e bem conservada, o chão limpo que brilhava. Ela alugava os quartos para hospedes e nós eramos os seus naquela noite.


Qualquer semelhança é mera coincidência kkk!

Resolvemos sair para "dar um rolé" ou seja, procurar comida mesmo...era dia dos namorados e a cidade tava a maior animação (#sqn), mas o único estabelecimento alimentício estava lotado, não cabia nem a mim sozinha, imagine eu e o Elvis juntos. Paramos em uma lanchonete em frente a praça principal, comendo pastel e cajuína escutando, em um paredão de som ao lado, "Berguinho e seus teclados", algo assim...seresta pura, a noite inteira! Fora que ficamos famosos na cidade, meio mundo parava...parava mesmo tudo que estava fazendo para olhar para "aqueles forasteiros" naquela pequena (muito pequena) cidade do interior. Me senti Beyoncé no sertão naquele momento, rsrs! Oh, yeah baby! 

A Saga até Cariri Mirim

Para chegar no distrito de Cariri Mirim você precisa pegar um moto táxi em estrada de terra (a mesma estrada da chegada) e leva uns 40 à 45 minutos até lá. Imagine o rally que é de carro, agora imagine de moto, hahaha!!! Poeira (muita), vento (demais) e um cenário incrível do nosso sertão brasileiro. Captei algumas cenas desse momento e detalhe...não tínhamos capacetes como caronas nas motocicletas...humm, ficamos pensativos a respeito disso. 




Enfim...Cariri mirim é uma tradicional vila interiorana, em pleno sertão, sem sinal de telefone (ficamos incomunicáveis), para mim um cenário lindo, com uma grande serra cortando o horizonte e um vento fresco e as vezes muito frio, um belo cenário para um filme...diria. Contei mais sobre esse lugar no post anterior, veja aqui.

Quando se perde um ônibus, se perde tudo...

Não é simples chegar em Moreilândia como podemos observar, sair dela também não é...e encontrar um meio de transporte mais facilitado para voltar ao Ceará é uma jogada empreendedora. Primeiro descubra quem você é, depois busque parcerias e o terceiro faça acontecer, rsrs. É bem assim, nós éramos educadores sociais em um programa educacional para jovens da região na única organização social da cidade, onde todo mundo já participou, trabalhou ou foi impactado pelo trabalho, então ajudá-los era regra de ouro na cidade e foi assim que conseguimos uma carona no ônibus universitário que iria para Juazeiro do Norte-CE pontualmente às 16h30 e nós perdemos por uns 5 minutos. Oh Bad!!!! Agora só no outro dia e seria (teria que ser) mais uma noite na pensão de D.Clementina Augusta! Até que...fomos salvos pelo porteiro do fórum da cidade que lembrou do Sr.Zezinho da padaria (nome fictício) que iria para Serra Talhada levar estudantes e passaria no triângulo de Exú onde passaria ônibus direto para Juazeiro do Norte (que não eram tão diretos assim)...


Bem-vind@s a Exú-PE

Para encurtar a história Sr.Zezinho da padaria nos levou, apertados, sacudidos em uma estrada esburacada em seu carro e fui rezando que esse Exú fosse perto porque minhas costas contra a porta do carro agradeceriam e naquela situação, extrema...olho para o celular, volta e meia sem área, msg's da Luíza lá por Orós-CE dizendo que estava em uma situação difícil e eu fiquei sem saber o que pensar sobre o que seria uma situação difícil naquele momento, rsrs!

Enfim, chegamos em Exú-PE, terra de Luíz Gonzaga, rei do baião, ícone da nossa cultura nordestina, do forró e dos contos dos sertanejos dos sertões, mesmo com toda essa história...o ônibus que iríamos havia quebrado na estrada e chegaria com umas 3h de atraso e assim ficamos no meio da estrada esperando e esperandooo...conversamos sobre tudo e vimos de tudo também. Ganhamos garrafas de água da agência no 0800, nos emocionamos tanto com esse gesto (rsrs), depois de tanto sofrimento, nem acreditamos.

Chegamos às 23h em Juazeiro do Norte e o Elvis sairia às 3h da manhã rumo à Campo Sales-CE para mais uma ação. Isso é a vida nos bastidores de ações empreendedoras.

O olhar desses episódios é que muitos por ai ainda não sabem que ainda existe pessoas com dificuldades de acesso no nosso país, como diz a Adriana que trabalha conosco no Social Brasilis. Acesso dos mais diversos. Acesso a transporte, moradia, água, internet, energia, esporte, lazer, etc e etc...nos confins desse imenso país onde temos que ir.

Se você perdeu os artigos anteriores dessa série, acesse abaixo:

Jornada Olhares parte 01 - aqui.

Jornada Olhares parte 02 - aqui.


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