segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Hello, empreendedorismo social não é filantropia!

  Vivemos o Boom do empreendedorismo e da inovação nos últimos anos. O avanço tecnológico e digital são destaques e peças-chave do mundo das Startups - ideias de negócios inovadoras com potencial de mercado e grande escala.

  Nesse cenário e bem antes desse Boom, o empreendedorismo social surgia. Nomes como o Indiano e professor universitário Muhammad Yunus Nobel da paz pela criação e impulso do desenvolvimento econômico da Índia na década de 70 através da criação do microcrédito e do Norte Americano e executivo Bill Drayton fundador da Ashoka Empreendedores Sociais - organização pioneira no trabalho com o tema desde a década de 80 - figuram como grandes incentivadores e propagadores do tema no mundo. Porém, o surgimento do termo é imposto a década de 40 com a inglesa Florence Nightingale, que criou a primeira escola de enfermagem com práticas de assistência inovadoras para a época em meio ao cenário e problemáticas da segunda guerra mundial.

Game Olhares - jogo para desenvolvimento de habilidades empreendedoras

  Assim como a tecnologia e a informação avançaram a passos rápidos, o empreendedorismo social também evoluiu, ganhando novas caras e formas com o surgimento dos negócios de impacto. Um dos importantes nomes dessa nova era é Kelly Michel fundadora da Artemísia, organização pioneira na temática dos negócios de impacto social cujo lema é "entre mudar o mundo e ganhar dinheiro, escolha os dois", reforçando a importância da sustentabilidade financeira como propulsora para geração de impacto positivo na sociedade.

  Para quem é novo no campo, os negócios sociais ou negócios de impacto se dividem em duas frentes atualmente. Uma defendida pela Artemísia onde há distribuição de dividendos (lucros) entre os empreendedores e a defendida por Yunus onde os dividendos, lucros do negócio, são reinvestidos no próprio negócio para reforçar ainda mais o impacto social proposto pela iniciativa. Mesmo assim, nos dois casos, a sustentabilidade financeira do projeto e dos empreendedores são essenciais para o crescimento e cumprimento do objetivo final do negócio que é ajudar a reverter ou contribuir de forma positiva para a resolução de uma problemática social.

  Hoje, o Brasil já tem reconhecido o poder que os negócios sociais possuem para contribuir para o desenvolvimento econômico e social de um dado local, na geração de emprego e renda, contribuição na educação, saúde e moradia. Aceleradoras, incubadoras e investidores já buscam empreendedores sociais que tragam e visualizem soluções para problemas nessas áreas em questão, que venham a contribuir com uma parcela significativa da população (a base da pirâmide) que sofre com as carências dessas áreas.

Incubação Pense Grande da Fund. Telefônica Vivo apoia projetos de impacto social

  Apesar desses avanços que o empreendedorismo social traz e do retorno financeiro e social que ele visa para a sociedade e por consequência, para seus empreendedores, ele é visto, ainda, por muitos como sinônimo de filantropia, o que não é, de nenhuma forma, verdade. O empreendedorismo social traz as técnicas do mercado, o empreendedorismo em si, apontando para a criação de ideias de negócios/empreendimentos que resolvam alguma problemática social, que a população sinta as dores desse problema e que possivelmente se tornarão consumidores (clientes) de futuros empreendedores sociais que pensam soluções que melhorem o dia-a-dia da população em um dado contexto.

  Isso não é filantropia. A filantropia em si não exige o retorno imediato do beneficiário, é doação, é incentivo ao voluntariado, é ajuda para nossa falta de desenvolvimento social que ainda não garante oportunidades de educação igual para todos. Já o empreendedorismo social trabalha para esse desenvolvimento, para a formação de ecossistemas de inovação aplicados para a sociedade como um todo, para o desenvolvimento econômico que gere renda, empregos e que por sua vez, impulsiona o desenvolvimento social melhorando a segurança, educação, saúde e moradia. Isso é mudar o mundo e só se pode fazê-lo de forma consciente e realista, ou seja, no mundo real, onde todos temos direitos e deveres, temos que sobreviver, se sustentar, caso contrário, ideias não sobrevivem, pois seus empreendedores devem "sair para trabalhar" e é justamente isso que o empreendedorismo social prega: autonomia e sustentabilidade para os novos tempos, o empreendedor que tem como seu trabalho mudar o mundo e ter sua própria renda e gerar renda para outras pessoas em um ciclo virtuoso de transformação.

Cooperativa de mulheres artesãs - Cariri cearense Foto: Fernanda Fernandes

 Eu, como empreendedora social, à frente do Social Brasilis - negócio que atua para o empoderamento de pessoas através da educação e da tecnologia, desenhando metodologias e programas educacionais por intermédio de plataformas virtuais de aprendizagem - escuto muito em minhas palestras e formações a comparação do empreendedorismo social com a filantropia e resolvi compartilhar o conceito de forma mais ampla para que todos possam entender a importância desse campo para a transformação de vidas. Transformação de vidas essa como meu próprio exemplo de vida (assista ao meu TEDx aqui), desde os nove anos de idade estou no campo dos projetos e, assim como, boa parte das pessoas que compõem minha equipe que passaram por esse mesmo processo de transformação trazido pelo empreendedorismo social, então, não subestime o poder desse conceito quando aplicado na sociedade.
Jovens criando seus primeiros projetos vivenciando nosso Game Olhares

 Para concluir, vou deixar alguns links de empreendimentos sociais que se destacam hoje na sociedade Brasileira gerando transformação, alguns deles estão em nossa campanha #EuSouProtagonista 2017:

Moradigna - Negócio de impacto social em habitação.

Sonya - Um aplicativo de mobilidade urbana para deficientes visuais e pessoas com baixa visão. Link do vídeo aqui.

Tipiti - E-commerce de produtos regionais paraenses. Link do vídeo aqui.

Caso se interesse em aprofundar mais o tema ou até mesmo criar um projeto de impacto social entre em contato pelo formulário de contato desse site ou acesse a Fanpage do Social Brasilis no Facebook - link aqui e deixe suas considerações.


Links interessantes:

Negócios sociais e a criação de mercados:
http://m.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/2017/10/1927716-negocios-sociais-estruturam-mercados-que-nao-existem-em-areas-pobres.shtml

O que é empreendedorismo social:
https://endeavor.org.br/empreendedorismo-social/



Abraços,

Manú Oliveira
Empreendedora Social - Social Brasilis


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