sábado, 4 de agosto de 2018

Jornada Olhares - Meu diário de bordo - Parte 02

Possivelmente, você nunca ouviu falar sobre Espinho. Isso mesmo, Espinho com E maiúsculo! Ao menos se você for natural da cidade de Limoeiro do Norte-CE, região do Vale do Jaguaribe, Espinho é um distrito localizado na zona rural desse município e sim, nós fomos até lá.

Acordamos às 04h da manhã, como de costume nas aplicações do Game Olhares para todos os facilitadores. As passagens foram previamente compradas para o primeiro ônibus do dia, às 6h da manhã rumo à Limoeiro, mas deveríamos parar antes da cidade, segundo orientações...me acompanharia o Gabriel, nosso facilitador para aquela localidade, porém, ele ficou doente um dia antes da aplicação e como eu já iria, eu iria aplicar a primeira oficina do nosso jogo. Eu estava com duas passagens compradas em mãos...ai pensei que poderia chamar alguém para vivenciar isso comigo. 

Eu sou empreendedora, né? Tenho mil ideias por minuto...eu já havia pensado em trabalhar com a Luíza, nossa personagem de hoje, em alguns programas do Social Brasilis (meu empreendimento). Eu tenho uma espécie de "feeling", algo que me diz que devo investir em algo ou alguém. Foi assim quando eu conheci a Luíza, em uma parceria linda com o time Enactus UFC. Uma jovem, quase engenharia metalúrgica à época. Pois é...peguei uma engenheira e levei para o sertão para encontrar mais de 40 jovens para aplicação de uma metodologia educacional, social e gamificada (é...só isso!). Encontre os metais da metalúrgica nisso, rsrs!!!! Pois é...nada a ver. Mas feeling é feeling e eu confio no meu e partimos.

Eu e Luíza rumo à Espinho!

Para começar...não imaginávamos como era longe Limoeiro...passou 2h, passou 3h e nada. Foram quase 4h para chegar lá. Lembram que saímos às 6h da manhã no primeiro ônibus? Não foi suficiente porque a turma era às 08h...então os jovens nos aguardaram, pacientemente, até as 10h. Descemos no meio de uma encruzilhada, meio do nada. Demos um giro de 360º eu e Luíza...no lado direito tinha umas casas ao fundo, do lado esquerdo a torre de uma igrejinha amarela ao fundo. Resolvemos seguir pela estrada em direção à igreja (sabe, né? Igreja, centro, centro de cidade interiorana...sacou o raciocínio? rsrs). E andamos...fiz uns stories, conversei com a Luíza...aí parou um carro ao nosso lado, era o educador da instituição que veio nos pegar. Foi bem rápido para chegar ao local da oficina...e cheguei, cheguei, chegando, balançando a zorra toda (LUDMILA, 2017), fui logo iniciando a oficina assim que entrei na sala. Os jovens já aguardavam a 2h e não mereciam isso.

E foi demais!!! Se envolveram, se divertiram com as atividades e Luíza só observando. Ela estava tão preocupada na expressão, meio que em pânico daquela quantidade de jovens e muitas atividades e etc...que eu pensei:---Pronto, traumatizei a menina! Essa nunca mais vem!


Juventude de Espinho - Limoeiro do Norte-CE
Ao final do dia, eram duas turmas na cidade...uma na manhã e outra a tarde, a da tarde era totalmente diferente da primeira. Jovens totalmente apáticos, o facilitador tinha que ter experiência para puxar o interesse da turma, a interação...era difícil! Mas um caso totalmente normal nesse trabalho com esse público e exige de nós empatia para entender a posição e o viver desse jovem. Ao final de tudo, estávamos mortas e encaramos as 4h de volta para casa...puxei assunto com a Luíza, pra saber o que ela tinha achado, e ela falou...muita coisa, né? E eu fiquei...matei a menina, mesmo! Mas é aquela coisa...feeling é feeling...eu acredito no meu!

Cheguei em casa e me perguntaram: e aí...como foi com a Luíza?

Eu: Traumatizei a menina!

Todos reagiram assim:

via GIPHY


Vocês verão esse feeling em breve, aliás, capítulo.

Missão Cariri 

Já estava preparada para o que chamamos de "Missão Cariri", encarar 10 cidades em dois Estados. Maior missão de logística e organização que recebemos até então. E eu...fui logo na primeira leva de viajantes para a região. Eu tinha que escolher quem acompanhar nesse primeiro momento, então optei pelos percussos de difícil acesso para vivenciar junto com o educador essa experiência. Aí...escolhi o sertão pernambucano junto ao Elvis, outro protagonista desse capítulo.

As cidades eram Moreilândia-PE e Cariri Mirim, zona rural de Moreilândia. O acesso a essa cidades era muito difícil. Tinha uns carros de horário e iriam até as 14h no Crato (Cariri cearense) e eles eram tipo adaptados (aquelas D20 abertas) e a estrada era de terra (tipo rally)...e no primeiro momento não tínhamos como chegar e ai...a Super Cris, junto a sua turma resolveram nos ajudar nos levando até Cariri Mirim e depois Moreilândia (a equipe do ChildFund Brasil no Cariri).<3 p="">

Partimos de Juazeiro do Norte-CE, passamos no Crato-CE e seguimos serra a cima rumo a Cariri Mirim que eu não conhecia. No percurso, fomos em cinco pessoas na estrada de terra, cheia de desafios, conversando sobre tudo, sobre tudo mesmo...acabava as histórias e não acabava eram os buracos da estrada. Poeirrauuuu grande!

No momento...conversas sobre filmes (Elvis à frente).


Ouvi histórias sobre Barbalha-CE e suas festas, ouvi sobre a rivalidade de Crato versus Juazeiro e ouvi sobre as onças...sim, a estrada, diz a lenda, é repleta de onças. Caro leitor (a) fixe nessa onça por favor...ela será personagem do próximo capítulo dessa saga.

Clara, em um buraco e outro que nos desviávamos, nos contou que a estrada era repleta de onças...e a estrada naquelas condições era muito fácil furar o pneu e aí que mora o perigo...porque não tinha nada ao redor, era ermo, no meio do nada e ai que as onças vinham. Imaginem a cena, um carro no meio do nada (sertão) com onças dando voltas, todo mundo gritando e uma vinha, dava uma patada no vidro do carro. Eu imaginei isso, rsrs!

Chegamos em Cariri Mirim, um pouco mais de 2h depois.

Uma localidadezinha, um vento frio (tinha uma serra ao redor), ninguém nas ruas, as casas em formato de vila...um cenário de um filme, já assistiu auto da compadecida? Pois é... vejam no vídeo abaixo:
Elvis Alves fazendo esse convite!


Jovens ávidos nos aguardando. Foi massa!!! As atividades...quando usaram a nossa plataforma virtual de aprendizagem (ah, detalhe...não tinha sinal de telefone, ficamos incomunicáveis!), usamos o Wi-Fi da instituição para acessar nossa parte virtual do Game Olhares. Os jovens usavam tablets, celulares, computadores, o que dava para logar. Foi uma cena linda de inclusão digital, de chegar nas pontas, onde ninguém chega, onde ninguém vai.

Juventude de Cariri Mirim-PE

Ficamos satisfeitos, porém, preocupados porque encontramos jovens sem expectativas de futuro, sem entusiasmo, sem motivação. Uns que sequer concluem os estudos e vão para a lavoura, para os canaviais, que antes disso sequer adquirem visão de mundo, de conhecimento, de buscar o melhor, porque o que é imposto para eles é aceitável, porque desacreditam deles mesmos, não conseguem mudar seu mundo e muito menos da sua comunidade.

O que vimos foi além das dificuldades de acesso logístico ou da falta de comunicação móvel, foi a figura do nosso interior brasileiro, que marginaliza pessoas, famílias na ignorância de não saber quem são e que são não capazes e que possuem o direito de mudar a sua realidade através de uma inclusão digna, de uma educação inclusiva, libertadora e social, mas acima de tudo, como cidadãos brasileiros como todos somos. Precisamos repassar esse olhar para todos. Esse foi mais um aprendizado nessa jornada.


Aguarde o próximo...

Se você não viu a parte 1 dessa jornada clique aqui e acompanhe essa série!

Abs!

domingo, 22 de julho de 2018

Jornada Olhares - Meu diário de bordo - Parte 01

Nos últimos meses, encarei uma verdadeira jornada em busca da transformação social mas, sobretudo, em busca da comprovação do meu propósito de vida.

Acredito que não há maneira mais eficaz de comprovar seu propósito de vida e missão nesse mundo do que colocando tudo à prova sob fortes pressões e em condições extremas. Condições extremas, foi isso que vivenciei nesse primeiro semestre de 2018 através do meu trabalho como empreendedora social.

Para quem não me conhece, eu sou empreendedora social, cearense, ativista social e fundadora do Social Brasilis - um negócio social que desenvolve programas educacionais e corporativos mediados pela tecnologia digital para fomento de novos negócios sociais, ações e tecnologias sociais que causem impacto social positivo através de pessoas - você pode conhecer melhor em nosso site aqui. 

Portanto, esse artigo contará um pouco sobre a aplicação do nosso maior programa educacional que já desenvolvemos até agora, o Game Olhares, uma metodologia gamificada para o público jovem para o desenvolvimento de habilidades empreendedoras e incentivo ao protagonismo jovem. Esse programa passou por mais de 16 cidades em 03 Estados Nordestinos e é sobre essa jornada pelos interiores do Brasil que quero compartilhar. Esse será o primeiro de cinco artigos sobre essa viagem social.

A Missão Vale do Curu

Embarquei, junto aos nossos educadores do Social Brasilis, para acompanhar as oficinas, conversar com jovens, educadores sociais e gestores de organizações sociais para conhecer suas histórias, ver seus rostos e saber o quanto nosso trabalho, de fato, contribui com o mundo. Tive sede de agarrar essa oportunidade depois que passei meses debilitada por uma doença rara que me levava a ter fortes hemorragias, passei por diversos hospitais, fui internada duas vezes e passei por duas cirurgias nos últimos meses. Após 10 longos meses de extremos cuidados, com dificuldades de caminhar e sem condições para o trabalho, fui liberada pelos médicos para voltar à ativa 100% curada. Aí sim, peguei minha mala, saí pelo mundo para fazer o que mais gosto, meu trabalho social. 

Eu passei por muitas cidades nos últimos dois meses com um trabalho em parceria com o ChildFund Brasil - Fundo internacional de apoio para crianças e adolescentes através do apadrinhamento. Recebemos deles a missão de trabalhar com jovens de instituições sociais ferramentas digitais, empreendedorismo, gestão e execução de projetos de forma divertida e prática. Eis a missão Game Olhares.

Comecei meu tour pela região do Vale do Curu no Ceará - zona oeste do Estado- parti para as cidades de São Luís do Curu, Itapipoca e São Gonçalo do Amarante, nessa primeira aventura a equipe do Canal Futura nos acompanhou para registrar como trabalhamos com a inovação em nosso empreendimento.


O transporte principal nesses interiores é topic - começou ai nosso suplício. Não tinham notas fiscais, a maior parte da viagem era feita de pé, lotadas, sem conforto e em péssimas condições - até briguei na volta de Itapipoca para Fortaleza, fiz a louca do "quero meu recibooo, tenho direitoo, rsrs". Era assim o percusso dos nossos educadores de São Luís do Curu e Itapipoca que saíam das cidades de Tejuçuoca e Sobral para dar oficinas nessas cidades em respectivo. Saiam as 4h da manhã, todos os sábados, para chegar ao local da oficina e no caso de Itapipoca o nosso educador (o Matheus) saía um dia antes, dormia em um distrito ou na casa de alguém da instituição para dar a oficina no outro dia, isso por 06 semanas consecutivas de aplicação da metodologia do game.

Eu e Matheus nosso educador em Itapipoca-CE

O que me surpreendeu nessa prática é que, com todas essas dificuldades, nós encontrávamos as seguintes justificativas:

-Ah, hoje os jovens não virão porque não acordaram.
-Ah, hoje terá uma festa na cidade e não terá encontro.
-Aqui ninguém é educado para a tecnologia, a cidade nem pensa nisso, por isso os jovens não vem.

Por ai vai...eu pensava sempre que hiper motivação teríamos que ter para continuar com todas as dificuldades e recebemos respostas assim. Coloquei educadores com histórias de vida muito legais e que passaram por programas do Social Brasilis anteriormente como beneficiários e que passaram a contribuir para que outras pessoas passassem, também, por um processo de empoderamento. Eu não estava sozinha em busca de testificar se o que estava fazendo mudava vidas, mas eles também estavam nessa comigo sendo testados.

Lembro, em uma conversa com a Adriana, nossa educadora, do encontro que ele teve com uma senhora dentro da topic quando voltava de uma das oficinas do jogo em São Luís do Curu-CE. A senhora, aparentando ser bem religiosa #sqn, a questionou sobre o que ela fazia e em seguida fez um comentário: Não vale a pena fazer o que você faz, é um sofrimento muito grande para nada. Para alguém que está cansado, colocando em prova aquilo que acredita, fazendo algo para o bem e em dificuldades não é nada legal ouvir algo assim. Porém, vimos sonhos de jovens, colocados em forma de árvore (uma dinâmica que fazemos), sonhos para a educação, condições de emprego na cidade (o jovem tem que migrar para trabalhar e estudar), lixo nas ruas, falta de lazer, jovens que sonham com a universidade, mas que a veem muito distante de sua realidade.
Eu e Adriana na parada do ônibus (no meio da estrada) em São Luís do Curu-CE

Ouvi muita coisa deles também durante a avaliação nessas cidades:

"O game foi muito legal, foi uma preparação para a universidade...nos ensinou "a mexer" em uma plataforma virtual, nunca havia visto algo assim antes...muito massa!"

"O legal do game é o conteúdo que está na plataforma, alguém viu? Lá tem uns vídeos legais, tem um falando de sonhos e super-heróis, me fez ver que a escolha da nossa profissão é uma decisão só nossa, indico a todos estudarem o conteúdo porque é muito bom."

"Eu achei que era uma gincana e eu odeio gincanas...mas quando vi que tinha essa parte de projetos, de ter que fazer um mesmo que gere significado para a vida dos outros, eu adorei."

"Aprendi tanta coisa...agora sei o que é drive, e-mail, postar vídeos e fotos. Aprendi a falar em público, era muito difícil pra mim."

Pedi pra eles também relatarem suas experiências durante a execução de nosso trabalho:

Jéssica Morais de São Luís do Curu-CE


Matheus Dias, educador Social Brasilis em Itapipoca-CE

Vi projetos acontecerem tímidos, com dificuldades, mas com impacto social. Sonhado, planejado e executado por jovens. Vi inclusão digital, jovens que não tinham e-mail, não usavam a internet pra nada além de redes sociais.



Agora, eu lembro daquela senhora no ônibus questionando a Adriana e a todos nós que tentam fazer algo para mudar a realidade que vivemos e que somos vítimas das mazelas da mesma. Meu bem, nós, ao menos, estamos fazendo algo para de fato mudar a sua e muitas realidades de pessoas por onde passamos. Levante-se e faça você também sua parte do trabalho, que é um trabalho de todos nós, ninguém veio ao mundo à passeio.

Esse foi o aprendizado do primeiro tour...

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Negócios sociais e criativos no Ceará

No último dia 29 de março/2018, abri o 1º Café do Ben - na Benévolo Café e Gelato no bairro do Meireles em Fortaleza-CE.



O evento foi organizado pela Trips Connection - um negócio social cearense para o fomento de transformação social e humana em contextos sociais através de intercâmbios junto a gerência do Benévolo Café e Gelato com a intenção de disseminar um debate sobre algum tema sobre inovação para ajudar instituições sociais através da doação de alimentos e afins. Grande exemplo e causa!

Larissa Gurjão - empreendedora da Trips Connection

Coube a mim abrir essa importante iniciativa para falar sobre Negócios Sociais através da minha história de vida no empreendedorismo social.

O momento foi massa, aconchegante, acolhedor e os presentes puderam entender mais sobre esse importante momento das empresas do setor 2,5 (negócios de impacto social/empresas sociais).

"Os negócios sociais buscam impacto sócio ambiental positivo gerado através do próprio core business do empreendimento, ou seja, a atividade principal deve beneficiar diretamente pessoas com faixa de renda mais baixas, as chamadas classes C, D e E, que de acordo com o IBGE, em 2010, correspondem a 168 milhões de pessoas. Portanto, viabilidade econômica e preocupação social e ambiental possuem a mesma importância e fazem parte do mesmo plano de negócios." (Fonte: SEBRAE, 2018).

Esses empreendimentos são classificados também como híbridos ou 2,5, pois possuem parte do seu core empresarial e outra parte voltada para geração de impacto social positivo como uma organização social. Então, temos uma empresa com toda área de sustentabilidade financeira, modelo de negócio e etc, casada com seu propósito social para existir e contribuir para reverter uma problemática social.

Também, debatemos ações do #SocialFuture - campanha institucional 2018 do Social Brasilis - negócio social que desenvolve programas educacionais e corporativos mediados por plataformas virtuais de aprendizagem. A campanha busca despertar ideias de transformação social, sonhos e projetos com intuito de desenvolver pessoas, criar novos empreendimentos sociais e despertar a inovação em diversos setores/instituições da sociedade no Nordeste Brasileiro.


Esse, sem dúvida, foi um importante momento para trazer a tona a importância dos sonhos e da concretização dos mesmos em forma de projetos de vida e empreendimentos sustentáveis e ao mesmo tempo, sociais.

Que venham as próximas atividades #SocialFuture!!!!

Abraços!
Manú Oliveira







terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Revista de impacto social - Social Brasilis

Aquelas coisas que fazem nosso coração vibrar!!!

Pois é, saiu a primeira edição da Revista de impacto social do Social Brasilis - um produto original Social Brasilis!

O projeto inovou e trouxe o relatório de impacto anual em formato de revista e além da exposição das atividades e dos números gerados (resultados), matérias especiais e entrevistas com nossa rede de parceiros e beneficiários da instituição, dentre elas, são destaques a coluna que fala sobre empreendedorismo e universidade com a Luíza Guedes - coordenadora de projetos do time Enactus UFC e a entrevista com a jovem e educadora social Kaciane Silva falando sobre protagonismo juvenil e oportunidades. Além de textos exclusivos e informações sobre esse negócio social cearense.

Matéria com Luíza Guedes

Entrevista com a jovem Kaciane Silva

Tem muito mais...com a diagramação impecável de Elvis Alves (diretor de comunicação do SB) sinto-me orgulhosa em cada linha por fazer parte de tudo isso.

Se quiser baixar gratuitamente a revista basta acessar esse link aqui e garantir a sua. Ficamos felizes em disseminar e compartilhar o que fazemos e aprendemos com o mundo. COMPARTILHE!



Bjs!
Manú Oliveira! 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O que é protagonismo?

Senti necessidade de escrever esse texto e retratar um pouco o que foi a vivencia, durante o ano de 2017, do que seja o termo protagonismo na vida real, na prática.

Para iniciar, vamos conceituar o que seja o protagonismo. O protagonismo padrão é aquele que um personagem na ficção interpreta o papel principal em um filme, novela, conto e por ele/ela e para ele/ela a trama (história) é construída. O protagonista é o centro e ao seu redor surgem papeis antagônicos que, por sua vez só existem para cumprir a missão de existir e a importância do papel principal do protagonista. 

Se transpormos essa explicação para nossa vida real, onde tudo realmente acontece, na escola, na universidade, na rua, enfim, na vida, diríamos que precisaríamos mais protagonistas que assumam papeis principais para iniciar uma história, uma revolução (temos vilões demais). Uma revolução positiva, pois como protagonista, ele/ela cria papeis secundários a seu redor para compor todos os personagens de uma trama, que agora é real, para a transformação, para fazer uma ação acontecer em um dado contexto social, formando o climax da história desse ser real. 

Precisamos de um climax em nossas vidas. Daqueles pontos mais importantes da nossa vida, divisores de água e que, por sua vez, tiveram protagonistas responsáveis por eles e por causa disso construíram e impactaram a sua história de vida e que por eles você é infinitamente grato/grata, não é assim? Eis aí...o protagonismo que estou falando.

Projeto Arruaça - arte jovem circense - Fortaleza-CE

Durante o ano de 2017 e juntamente com a equipe que faz parte do meu empreendimento social (o Social Brasilis conhecer aqui), trabalhamos para desenvolver esse potencial jovem de ser diferença na vida, nas pessoas, nas comunidades. Precisamos dar asas reais para nossa juventude e assim formar cidadãos mais conscientes no futuro. Nós precisamos disso...abra seu jornal diariamente e perceba essa necessidade.

Estimulamos e ensinamos a jovens a pensar ideias, a desenvolver e concretizar seus sonhos (uns até achavam que não tinham sonhos) através de práticas de construção e gerenciamento de projetos, comunicação, tecnologia e jogos. Tudo isso, tentando falar a linguagem do jovem e não ser um conhecimento/projeto idealizado de cima para baixo.

Projetos de jovens audiovisual e arte cênicas - Fortaleza-CE

Vimos muitas ideias surgirem, ações sociais sendo realizadas em escolas, comunidades, instituições sociais...jovens que descobriram seus sonhos. Entrevistamos esses novos protagonistas e vimos que em uma média de 10 jovens, 08 sonham com a universidade e ainda a vêem distante da realidade em que vivem. Além de palavras como combate ao bullying e a violência, arte e sustentabilidade foram os sonhos mais citados pelos jovens...ah, passaram por nós mais de 300 jovens em 2017.

O que quero transmitir nesse texto é que a palavra "protagonismo" em si não importa. Que palavras sem ações não possuem sentido. Que protagonismo é encontrar seu propósito de vida, é buscar por seu empoderamento e empoderar outras pessoas. Só assim a gente muda e muda o mundo a nossa volta.

Fonte imagem: https://frasesparaoface.com/enfrenta-qualquer-como/


Escrevo, também, pois fui muito questionada pelo significado da palavra, mas perceba como é legal brincar com a língua, com a linguagem em si...encontrar significado ou dar novos significados a palavras através de um contexto dentro de uma frase ou texto, isso é sintaxe, no termo padrão da nossa língua, mas digo que é brincar com as palavras e fazer delas significativas para alguém. Nós "brincamos" até com a tecnologia utilizamos uma hashtag (#EuSouProtagonista) aquele jogo da velha seguida por palavras todas juntas que são usadas nas redes sociais como mecanismos de busca.

Para concluir, a palavra "empoderamento" que tanto escutamos/lemos ultimamente para empoderar indivíduos, mulheres, jovens e etc. Foi trazido por Paulo Freire, educador brasileiro, da palavra empowerment que meio que não existia ou não era usada nas nossas terras tupiniquins tão precisadas (Ver kit de empoderamento Moporã). Que paradoxo! Estamos cheio deles...então usem as palavras dando sentido a elas através de ações, gestos, se empoderem e encontrem seu propósito de vida e assim alguém já não será tão infeliz.



Saiba mais:
-Projeto de vidas - construa o seu aqui.
-Curso de projetos de vida SB aqui.
-Empoderamento feminino aqui.
-Campanha #EuSouProtagonista 2017 aqui.


Feliz 2018
Manú Oliveira


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Uma experiência transformadora no Pense Grande - Jogos de tabuleiro!

Minha vida é muito ligada ao empreendedorismo social desde muito pequena e por isso já vivenciei muitas metodologias e conheci muitas organizações sociais pelo mundo - assista ao meu TEDx talk sobre minha história aqui - e continuar esse processo de conhecer o novo e o que de fato é a inovação continua sendo um processo transformador.

O Pense Grande - programa da Fundação Telefônica Vivo - criado em 2013 para despertar e desenvolver ideias de negócios sociais de jovens com aportes tecnológicos no Brasil, tem feito uma verdadeira transformação no atual contexto da inovação, tecnologia e empreendedorismo social no país e me sinto honrada de contribuir um pouco com isso, não só como participante da rede de empreendedores Pense Grande (O Social Brasilis foi incubado pela incubação Pense Grande e demos um salto por lá), mas também como multiplicadora atuando na base do programa.

Incubação Pense Grande <3 td="">

No início desse ano (2017) recebi um convite especial para ser multiplicadora do Pense Grande pelo país, mobilizando jovens para ter mais contato com o que é, na essência mais original do termo, o empreendedorismo. Muitas vezes os jovens tem o contato pela primeira vez com o termo na vida ou possuem uma ideia de que o empreendedorismo é somente a criação de negócios milionários e que isso está muito distante da realidade deles. O objetivo era desmitificar isso e encorporar o empreendedorismo na vida, na educação, na realidade social dos jovens trabalhando criatividade, visão crítica e social, resiliência, raciocínio lógico da forma mais inovadora e criativa possível: Um jogo de tabuleiro.

Jogo Se Vira - Prog. Pense Grande

Eu passei por diferentes contextos aplicando o jogo Se vira do Pense Grande trabalhando essa mobilização com jovens em quatro diferentes cidades do país e foi incrível! Primeiro foi em Natal-RN em escolas públicas estaduais, segundo em uma organização social em Fortaleza-CE, terceiro no ensino técnico e profissionalizante em Maceió-AL e na UNEB (Universidade do Estado da Bahia) com universitários em Salvador e Alagoinhas-BA. Tirei o máximo de cada experiência e que ouvi deles, como empreendedora social e professora, serviu para testificar ainda mais que a construção de projetos, a aprendizagem baseada em desafios, enfim a inovação e a tecnologia em sala de aula, podem mudar o mundo.

-Todo projeto da escola devia ser como esse jogo. ( Aluno - Natal/RN - 2º ano Ensino Médio).

-As atividades e projetos da escola se resumem a palestras...a gente só escuta, tá nem ligando...com esse jogo nós estamos produzindo. (Aluno - Natal/RN - 2º ano Ensino Médio).

-Aprendi hoje que se não for desafiador não é transformador. (Aluna - Maceió-AL)

-A educação deve ser inovadora, temos que buscar o empreendedorismo na formação após a universidade, sobretudo, como pessoas, o jogo me  mostrou isso. (Aluno - Salvador-BA)

Aplicando o jogo, lembrei da minha experiência enquanto professora da rede estadual cearense entre 2012 à 2015 - onde o Social Brasilis (meu empreendimento social surgiu) - lecionando nas salas de alfabetização de jovens e adultos, usando várias técnicas para aprendizagem dos meus alunos e foi justamente um jogo de tabuleiro para o letramento que mais cativou meus alunos e os fizeram avançar e nesse exemplo que iniciava cada oficina do Jogo Se Vira do Pense Grande...relatando minha história no empreendedorismo, quando iniciei, lá no sertão do Ceará até 2015 vir a desenvolver um negócio social tecnológico através do incentivo dos meus alunos à época e tendo o Pense Grande como uma ponte de incentivo a realização, como empreendedora e como ativista social. Então, o empreendedorismo é acessível e possível a todos onde estivermos, com quem estivermos e com o que temos nas mãos. É "se vira" se você realmente quer fazer um sonho acontecer, literalmente.

Dois dos meus alunos de turmas de alfabetização com um jogo para letramento - 2014.

O jogo se vira passa essa mensagem para o jovem em um tabuleiro com cinco fases que são contextos sociais que cotidianamente costumamos vivenciar: sala de aula, lazer, rua, trabalho e casa. Existe um personagem central com características, aptidões e pontos fortes, ele ou ela é o personagem central do jogo e em cada fase os jovens tinham que tentar resolver problemas reais da vida do personagem a partir dos recursos (no máximo cinco cartas de recursos para cada participante) que tinham nas mãos e construir juntos uma solução para resolver aquele problema do personagem. Resolvido o problema, os jovens avançavam para fase seguinte e assim por diante até concluir o jogo. No final da primeira aplicação eu sempre ouvia:

-Posso jogar de novo?
-Vende onde?
-Você vai deixar esse jogo aqui,né?
-Poxa...quero compartilhar todas as soluções malucas que pensamos.
-Muito massa!

O jogo foi co-criado com ajuda de jovens empreendedores e intermediado pelo Instituto Crescer e Imagina Coletivo de São Paulo, o que me fez acreditar ainda mais em processos gamificados para o aprendizado, é o que tento fazer por aqui pelo Nordeste (metodologia gamificada ver aqui), fazendo também esse trabalho de base e isso SIM contribui com o mundo.

Instituto Crescer Maceió-AL
UNEB - Alagoinhas-BA


Continuamos junt@s nessa transformação!


Pense Grande, se vire...
Manú Oliveira









segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Hello, empreendedorismo social não é filantropia!

  Vivemos o Boom do empreendedorismo e da inovação nos últimos anos. O avanço tecnológico e digital são destaques e peças-chave do mundo das Startups - ideias de negócios inovadoras com potencial de mercado e grande escala.

  Nesse cenário e bem antes desse Boom, o empreendedorismo social surgia. Nomes como o Indiano e professor universitário Muhammad Yunus Nobel da paz pela criação e impulso do desenvolvimento econômico da Índia na década de 70 através da criação do microcrédito e do Norte Americano e executivo Bill Drayton fundador da Ashoka Empreendedores Sociais - organização pioneira no trabalho com o tema desde a década de 80 - figuram como grandes incentivadores e propagadores do tema no mundo. Porém, o surgimento do termo é imposto a década de 40 com a inglesa Florence Nightingale, que criou a primeira escola de enfermagem com práticas de assistência inovadoras para a época em meio ao cenário e problemáticas da segunda guerra mundial.

Game Olhares - jogo para desenvolvimento de habilidades empreendedoras

  Assim como a tecnologia e a informação avançaram a passos rápidos, o empreendedorismo social também evoluiu, ganhando novas caras e formas com o surgimento dos negócios de impacto. Um dos importantes nomes dessa nova era é Kelly Michel fundadora da Artemísia, organização pioneira na temática dos negócios de impacto social cujo lema é "entre mudar o mundo e ganhar dinheiro, escolha os dois", reforçando a importância da sustentabilidade financeira como propulsora para geração de impacto positivo na sociedade.

  Para quem é novo no campo, os negócios sociais ou negócios de impacto se dividem em duas frentes atualmente. Uma defendida pela Artemísia onde há distribuição de dividendos (lucros) entre os empreendedores e a defendida por Yunus onde os dividendos, lucros do negócio, são reinvestidos no próprio negócio para reforçar ainda mais o impacto social proposto pela iniciativa. Mesmo assim, nos dois casos, a sustentabilidade financeira do projeto e dos empreendedores são essenciais para o crescimento e cumprimento do objetivo final do negócio que é ajudar a reverter ou contribuir de forma positiva para a resolução de uma problemática social.

  Hoje, o Brasil já tem reconhecido o poder que os negócios sociais possuem para contribuir para o desenvolvimento econômico e social de um dado local, na geração de emprego e renda, contribuição na educação, saúde e moradia. Aceleradoras, incubadoras e investidores já buscam empreendedores sociais que tragam e visualizem soluções para problemas nessas áreas em questão, que venham a contribuir com uma parcela significativa da população (a base da pirâmide) que sofre com as carências dessas áreas.

Incubação Pense Grande da Fund. Telefônica Vivo apoia projetos de impacto social

  Apesar desses avanços que o empreendedorismo social traz e do retorno financeiro e social que ele visa para a sociedade e por consequência, para seus empreendedores, ele é visto, ainda, por muitos como sinônimo de filantropia, o que não é, de nenhuma forma, verdade. O empreendedorismo social traz as técnicas do mercado, o empreendedorismo em si, apontando para a criação de ideias de negócios/empreendimentos que resolvam alguma problemática social, que a população sinta as dores desse problema e que possivelmente se tornarão consumidores (clientes) de futuros empreendedores sociais que pensam soluções que melhorem o dia-a-dia da população em um dado contexto.

  Isso não é filantropia. A filantropia em si não exige o retorno imediato do beneficiário, é doação, é incentivo ao voluntariado, é ajuda para nossa falta de desenvolvimento social que ainda não garante oportunidades de educação igual para todos. Já o empreendedorismo social trabalha para esse desenvolvimento, para a formação de ecossistemas de inovação aplicados para a sociedade como um todo, para o desenvolvimento econômico que gere renda, empregos e que por sua vez, impulsiona o desenvolvimento social melhorando a segurança, educação, saúde e moradia. Isso é mudar o mundo e só se pode fazê-lo de forma consciente e realista, ou seja, no mundo real, onde todos temos direitos e deveres, temos que sobreviver, se sustentar, caso contrário, ideias não sobrevivem, pois seus empreendedores devem "sair para trabalhar" e é justamente isso que o empreendedorismo social prega: autonomia e sustentabilidade para os novos tempos, o empreendedor que tem como seu trabalho mudar o mundo e ter sua própria renda e gerar renda para outras pessoas em um ciclo virtuoso de transformação.

Cooperativa de mulheres artesãs - Cariri cearense Foto: Fernanda Fernandes

 Eu, como empreendedora social, à frente do Social Brasilis - negócio que atua para o empoderamento de pessoas através da educação e da tecnologia, desenhando metodologias e programas educacionais por intermédio de plataformas virtuais de aprendizagem - escuto muito em minhas palestras e formações a comparação do empreendedorismo social com a filantropia e resolvi compartilhar o conceito de forma mais ampla para que todos possam entender a importância desse campo para a transformação de vidas. Transformação de vidas essa como meu próprio exemplo de vida (assista ao meu TEDx aqui), desde os nove anos de idade estou no campo dos projetos e, assim como, boa parte das pessoas que compõem minha equipe que passaram por esse mesmo processo de transformação trazido pelo empreendedorismo social, então, não subestime o poder desse conceito quando aplicado na sociedade.
Jovens criando seus primeiros projetos vivenciando nosso Game Olhares

 Para concluir, vou deixar alguns links de empreendimentos sociais que se destacam hoje na sociedade Brasileira gerando transformação, alguns deles estão em nossa campanha #EuSouProtagonista 2017:

Moradigna - Negócio de impacto social em habitação.

Sonya - Um aplicativo de mobilidade urbana para deficientes visuais e pessoas com baixa visão. Link do vídeo aqui.

Tipiti - E-commerce de produtos regionais paraenses. Link do vídeo aqui.

Caso se interesse em aprofundar mais o tema ou até mesmo criar um projeto de impacto social entre em contato pelo formulário de contato desse site ou acesse a Fanpage do Social Brasilis no Facebook - link aqui e deixe suas considerações.


Links interessantes:

Negócios sociais e a criação de mercados:
http://m.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/2017/10/1927716-negocios-sociais-estruturam-mercados-que-nao-existem-em-areas-pobres.shtml

O que é empreendedorismo social:
https://endeavor.org.br/empreendedorismo-social/



Abraços,

Manú Oliveira
Empreendedora Social - Social Brasilis


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